Mulher suspeita de agredir técnica de enfermagem em UPA é ouvida pela polícia

À esquerda, a técnica de enfermagem Keila Cristina Rodrigues Barbosa, que denunciou ter sido agredida durante o atendimento. À direita, Nayara, suspeita das agressões. — Foto: TV Globo
Nayara Oliveira foi localizada pela polícia e disse que se arrepende de ter agredido a técnica de enfermagem Keila Cristina durante triagem em UPA
A mulher suspeita de agredir uma técnica de enfermagem durante o atendimento de sua filha em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São Joaquim de Bicas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi localizada e ouvida pela polícia.
Nayara Oliveira afirmou que se arrepende das agressões cometidas contra a profissional de saúde. "Eu simplesmente agredi ela, né? Errei, foi o que eu disse. Me arrependo muito disso, muito, porque eu perdi o meu direito", declarou Nayara após ser ouvida pelas autoridades.
O episódio ocorreu durante a triagem da unidade e foi registrado em boletim de ocorrência. A técnica de enfermagem Keila Cristina Rodrigues Barbosa, de 28 anos, relatou que recebeu a criança no colo, verificou os sinais vitais e informou à mãe que não havia indícios de risco imediato, e que a menina seria encaminhada para avaliação médica.
Segundo a profissional, Nayara se irritou com a informação e passou a agredi-la com socos. Após as agressões, Nayara fugiu da UPA.
Funcionários da unidade encontraram um papel com um nome e um número de telefone que, segundo eles, foi fundamental para localizá-la. A investigação do caso segue em andamento.
Violência contra profissionais de saúde em Minas Gerais
O caso envolvendo Nayara reflete um problema recorrente no cotidiano dos trabalhadores da saúde. Uma pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais (Coren-MG) no ano passado ouviu 418 profissionais no estado, e os dados apontaram que 455 relataram já ter sofrido algum tipo de violência no ambiente de trabalho.
Entre os casos registrados, os tipos mais comuns foram violência verbal, assédio moral e violência física, sendo os próprios pacientes apontados como um dos principais autores das agressões.
Segundo o presidente do Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais, Lucas Tavares Nogueira, além do impacto físico, situações como essa também provocam desgaste psicológico e aumentam a pressão enfrentada pelos trabalhadores da área. "A gente está passando por um momento de muito desgaste. A gente tem visto o quanto que os profissionais de saúde têm sofrido de maneira psicológica com a situação da saúde de uma forma geral", afirmou um representante da categoria.
O episódio reacende o debate sobre a necessidade de medidas mais efetivas de proteção para os profissionais de saúde que atuam na linha de frente do atendimento público.