Milei endurece sanções contra empresas que exploram petróleo nas Malvinas

Fonte: Wikimedia/Vreative Commons
Presidente argentino anuncia novas sanções contra empresas do projeto Sea Lion e criação de base naval na Terra do Fogo
O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou na última quinta-feira (3) que vai endurecer as sanções contra empresas envolvidas na exploração de petróleo nas Malvinas. O anúncio ocorre em um momento de atenção redobrada ao tema, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que não descarta revisar a posição de Washington sobre a disputa histórica pelas ilhas. "Essa ameaça não é inofensiva", ressaltou Milei.
O pronunciamento do presidente argentino teve como pano de fundo o protesto de seu país contra o projeto petroleiro Sea Lion, conduzido pela empresa britânica Rockhopper e pela israelense Navitas em águas localizadas a 220 km das Malvinas.
A disputa pela soberania do arquipélago é reconhecida por uma resolução da ONU de 1965, que solicita aos dois países envolvidos que evitem decisões unilaterais e busquem uma solução diplomática para o impasse. "O Reino Unido ignorou sistematicamente esse apelo", criticou Milei, acrescentando que a Argentina deve agir "com firmeza" diante dos projetos que "representam uma ameaça aos interesses estratégicos do país".
Em seu discurso, o presidente argentino afirmou que vai "endurecer as sanções e penas contra as empresas ligadas a operações não autorizadas" e anunciou a criação de uma base naval na província patagônica da Terra do Fogo. "A Argentina não ficará de braços cruzados", declarou.
Milei também abordou a questão da autodeterminação dos habitantes das ilhas, afirmando que eles, por constituírem "uma população implantada em território usurpado, não têm um direito legítimo à autodeterminação". A declaração reforça a posição histórica da Argentina sobre a soberania do arquipélago.
O tema é abordado por Milei em um momento em que a aprovação de seu governo está em queda, a pouco mais de um ano das eleições em que buscará o segundo mandato. Segundo o cientista político Tomás Mugica, diretor do Centro de Estudos Internacionais da Universidade Católica Argentina, "existe um amplo consenso entre a população em geral, e também entre as elites políticas, sobre a legitimidade da reivindicação de soberania da Argentina".
A postura de Milei sinaliza uma escalada na disputa com o Reino Unido pela soberania das Malvinas, com medidas concretas previstas tanto no campo das sanções econômicas quanto na presença militar na região patagônica.