Sem Messi e com futuro indefinido de Scaloni, Argentina terá reformulação

Lionel Messi - Foto: Lee Smith
Com a aposentadoria de Messi e o futuro de Scaloni indefinido, a Argentina enfrenta uma profunda reformulação após a Copa do Mundo de 2026.
A aposentadoria de Lionel Messi da seleção argentina não pegou a "Albiceleste" de surpresa, mas a saída do capitão e maior artilheiro de todos os tempos representa um impacto enorme no futuro da vice-campeã mundial. Além da despedida do astro de 39 anos, pairam dúvidas sobre a continuidade do técnico Lionel Scaloni e de outros nomes importantes, como o goleiro Emiliano "Dibu" Martínez. Messi defendeu a seleção argentina durante 21 anos, com tropeços no início e uma série de conquistas na reta final de sua trajetória.
Sua saída deixa um vazio que os tricampeões mundiais terão que assimilar — um vazio comparável à despedida de Diego Maradona, há mais de 30 anos. "Dei tudo, não tenho mais nada a dar e, além disso, estão surgindo jovens muito bons que merecem estar lá", disse Messi ao anunciar sua aposentadoria. "La Pulga" brilhou até o último ato com uma atuação marcante na Copa do Mundo de 2026, anotando oito gols e sendo decisivo para levar a Argentina à final disputada em 19 de julho, apesar da derrota para a Espanha. A repercussão no país foi imediata. "O sentimento é: "E agora?" Não foi qualquer um que saiu, foi o nosso orgulho, o cara que todos admiravam", escreveu o jornalista esportivo Hugo Balassone no TyC Sports. "A seleção argentina fica um pouco mais comum sem ele. Será necessária uma reconstrução porque é uma camisa pesada, um escudo imenso e uma história a defender. Mas imaginá-la sem Messi é muito difícil", acrescentou.
A "Albiceleste" terá que trilhar um novo caminho com várias incógnitas a resolver. Lionel Scaloni, mentor da era de ouro da Argentina, não descarta uma saída ao final de seu contrato, que vai até dezembro deste ano. O treinador de 48 anos conta com a aprovação dos jogadores, dirigentes e torcedores para continuar, mas sinalizou que precisa refletir sobre seu futuro. "Não sei se é possível fazer algo tão grande como isto", afirmou Scaloni após a derrota para a Espanha. A situação não é simples: se ele continuar, terá que reconstruir uma equipe que não girará mais em torno de Messi e também não contará com seu segundo capitão, o zagueiro Nicolás Otamendi, que se aposentou da seleção após a Copa do Mundo.
É provável que Scaloni informe sua decisão nas próximas semanas a Claudio Tapia, presidente da Associação do Futebol Argentino (AFA). Caso decida não continuar, o dirigente terá aproximadamente quatro meses para encontrar um substituto. Por enquanto, a Argentina não tem amistosos confirmados para a próxima data Fifa, que começa daqui a três semanas, embora a ideia da AFA seja homenagear Messi diante de seus torcedores. Scaloni, ou seu sucessor, terá que promover mudanças em um elenco que já conquistou tudo: a Copa do Mundo de 2022, a Copa América de 2021 e 2024 e a Finalíssima de 2022.
Alguns jogadores encerraram seus ciclos devido à idade, a problemas físicos ou a desempenhos abaixo do esperado, tendo em vista a projeção para a Copa do Mundo de 2030. O meio-campista Leandro Paredes, de 32 anos, colocou em dúvida seu futuro na seleção em entrevista ao canal TN: "Sem ele [Messi], será difícil que tudo continue funcionando da mesma forma". "Dibu" Martínez, de 33 anos, também deixou um ponto de interrogação no ar após a final: "Há muitas coisas para refletir e ver como seguir em frente e se é hora de dar um passo atrás".
Além disso, a Argentina terá que disputar jogos com desfalques relevantes, já que os titulares Paredes, Nahuel Molina e Thiago Almada terão que cumprir suspensão após os incidentes com jogadores espanhóis no pós-final. A equipe já está classificada para a próxima Copa do Mundo como um dos países-sede, mas ainda resta saber se os argentinos disputarão as eliminatórias sul-americanas, já que o número de participantes não foi definido. Diante dessas questões, amplificadas pela ausência de Messi, as próximas semanas serão decisivas para o futuro da Argentina, que já pensa em uma nova era liderada por jogadores como Cristian Romero, Enzo Fernández e Julián Álvarez. "São mais de uma dúzia de jogadores que disputaram a última Copa, com vontade e idade para seguir em frente, carregando a bandeira da "Albiceleste" que nos une", escreveu o comentarista esportivo Alejandro Fabbri em uma coluna no portal TyC Sports.