Mendonça manda PF mapear suposta rede de influência de Vorcaro

ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF)
Ministro do STF determina identificação de membros de suposta rede de influência ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro no caso Banco Master
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou à PF (Polícia Federal) a identificação de pessoas mencionadas em relatórios sobre Daniel Vorcaro, com o objetivo de esclarecer uma suposta rede de influência e monitoramento comandada pelo ex-banqueiro. A medida integra a investigação relacionada ao Banco Master e foi detalhada em manifestação enviada ao presidente do STF, Edson Fachin, na última segunda-feira (14). A explicação de Mendonça representa uma resposta aos questionamentos de Fachin sobre a condução das investigações do Banco Master. Segundo o ministro, elementos extraídos do celular de Vorcaro indicaram que o ex-banqueiro teve acesso antecipado a informações sobre investigações que poderiam prejudicá-lo. Há também a hipótese de que Vorcaro tentava intervir junto a autoridades envolvidas nos processos, ponto que a PF já havia sinalizado anteriormente.
Diante da indicação da PF de que ainda existiam membros da suposta organização criminosa sem identificação, Mendonça determinou que os delegados responsáveis pela Operação Compliance Zero apresentassem, em setenta e duas horas, informações atualizadas sobre os integrantes da chamada "rede de influência e monitoramento" de Vorcaro. O ministro também prestou esclarecimentos sobre a intimação pessoal de delegados em seu gabinete, ocorrida em 24 de agosto. A medida foi adotada porque um dos documentos da PF mencionava o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em uma nota enviada por Vorcaro a um interlocutor ainda não identificado.
Mendonça afirmou ter adotado a providência "por cautela", visando a preservação do sigilo e da condução da investigação. Anteriormente, o ministro já havia cobrado a PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre mensagens envolvendo Moraes. O relatório da PF, produzido a pedido de Mendonça, desencadeou a atual crise no STF. O documento trouxe à tona mensagens e outros registros envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, levantando questionamentos sobre a forma como a apuração foi conduzida e a suposta relação entre eles. O sigilo do inquérito sobre essa relação já foi derrubado por Mendonça.
Antes de uma possível análise pelo plenário, Fachin havia estabelecido um prazo para que Mendonça, Alexandre de Moraes, Gonet e Andrei prestassem informações sobre o relatório da PF acerca das mensagens de Vorcaro e Moraes. Entre os pontos pedidos para esclarecimento estão as circunstâncias da ordem de Mendonça para identificar pessoas mencionadas no material da PF, o cumprimento das regras para investigações envolvendo autoridades com foro, e possíveis acessos ou vazamentos de informações sigilosas. O documento foi apresentado às vésperas do início, nesta terça-feira (15), da sessão do plenário do STF, que analisará o relatório da Polícia Federal sobre as mensagens de Vorcaro e a suposta relação do ex-banqueiro com Moraes. A discussão incluirá a validade do material e a forma como as informações foram obtidas e incorporadas à investigação.