Mart'nália e Martinho da Vila trazem turnê "Pai e Filha" a BH

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Mart"nália e Martinho da Vila trazem a turnê "Pai e Filha" a Belo Horizonte nesta sexta-feira, com show na Arena Hall
De imediato, fica evidente que Mart"nália herdou pelo menos três coisas do pai, Martinho da Vila: o talento, o astral e o próprio nome. Ela foi registrada com a junção dos nomes de Martinho e de Anália, sua mãe. "Metade é dele, né?", ri. A dupla chega a Belo Horizonte na próxima sexta-feira (4/9), na Arena Hall, com a turnê "Pai e Filha", que percorre 30 cidades pelo Brasil.
O espetáculo é dividido em três momentos: dois solos, um de Martinho e outro de Mart"nália, e um terceiro no qual os dois cantam juntos. Durante a entrevista, quando Martinho foi perguntado se gostaria de ter escrito alguma canção feita pela filha, foi ela quem respondeu primeiro: "não faz isso com ele não", gargalhou, acompanhada pelos risos do compositor. As informações são de O Tempo.
"Tem várias", completou Martinho. "Eu gosto de cantar e de ver a Mart"nália dançar. Na canção "Roda Ciranda" (1985), por exemplo, eu canto, e, quando vejo, ela está rodando o palco todo", contou Martinho. Foi então que Mart"nália fez uma sugestão ao vivo: "Vamos botar essa música de volta no repertório para o show de BH, pai?" Martinho assentiu e concluiu: "Ela dança, eu canto, e tudo fica muito bacana." Os elogios de Martinho à filha não pararam por aí. "Mart"nália é a mais completa que o Brasil tem", afirmou, enquanto ela soltava uma risada tímida, mas claramente contente. "Ela canta, toca percussão, dança. Sozinha em um palco grande, ela preenche tudo, não adianta. Ela toca até berimbau", exclamou.
Martinho também lembrou que a filha começou como backing vocal e que, em um show do qual não foi chamada, decidiu aparecer assim mesmo. ""Me limou do coro? Vou fazer coro", ela falou e foi cantar mesmo assim. Tem muitos shows meus que ela só vai para assistir, mas acaba subindo no palco. Viram dois shows", celebrou. Mart"nália retribui os elogios com a mesma intensidade. "Busquei dele, aprendi tudo. Desde cedo, fui observando. Depois, nas gravações e nos shows, isso tudo foi me dando colo para ficar à vontade, essa liberdade de estar presente no palco", disse. Uma das principais lições foi justamente a liberdade para encontrar o próprio caminho na música. "Ele sempre me disse: "Faz o que você sabe, porque só sabe". Tem várias formas de fazer. Vendo ele fazer do jeito dele, a forma como tratou todo mundo, isso que me encanta. Fui ficando mais à vontade", apontou.
Quando o assunto é samba, Martinho da Vila é direto ao ponto: o gênero é uma das principais expressões da identidade do país. "O samba é símbolo do Brasil, mais que o Hino Nacional. Tudo acaba em samba", afirmou. Segundo ele, essa força aparece na variedade de formas que o gênero assumiu ao longo do tempo, do partido-alto ao samba-enredo, passando pelo samba-canção, o samba rasgado e o samba sincopado. Entre essas vertentes, Martinho revelou ter uma relação especial com o partido-alto. "Eu gosto mais do partido-alto, porque eu, sozinho com meu pandeiro, dá pra fazer um show de uma hora tranquilo. Vai tocando devagar. Já vi gente dormindo no meu canto. Vão entrando nele como se fosse um mantra", contou. Já Mart"nália aponta o samba-canção como uma de suas preferências, sem deixar de lado o partido-alto. "Comigo é o samba-canção, porque gosto mais. Adoro sambas mais gostosos", disse.
A relação de Martinho com as manifestações populares também aparece quando ele fala sobre Minas Gerais e a influência das tradições do estado em sua produção, como o Congado. O artista se define como alguém formado pelo ambiente ao redor, sempre atento a situações que podem se transformar em música. "Eu sou produto do meio, como todo mundo. E as coisas à volta é que me inspiram. Às vezes, alguém fala algo e penso: "que coisa bonita." Já pode virar música. Existe uma célula musical na cabeça, e meu trabalho de composição é desenvolver isso", explicou. Mart"nália leva essa mesma disposição para o palco, onde o improviso e as mudanças de repertório fazem parte do processo. "Um show é muito pouco para mostrar toda nossa trajetória", resumiu.
Além de ser a primeira excursão nacional dos dois juntos, a turnê tem um significado especial para Martinho: ele a apresenta como sua despedida das grandes temporadas, embora não como um adeus à criação. Aos 88 anos, ele segue trabalhando em novas músicas e preparando um disco. "Já gravei, agora vai mixar, masterizar. Pretendo lançar esse ano", adiantou. O projeto ainda não tem título definitivo, mas ele brinca com a própria idade: "Criações 88". "Vai ficar maneiro", sorriu. Mart"nália também prepara novidades para 2027. Depois de trabalhos dedicados a outros repertórios, ela pretende voltar às próprias composições. "Ainda não tem nome, mas vou voltar para inéditas", prometeu. A conversa terminou como começou, na base da brincadeira e da cumplicidade. Para Martinho, a expectativa para o show é simples: "a gente vai tentar divertir o público, se possível emocionar." Para Mart"nália, o encontro tem ainda outro significado. "Estou matando mais saudade que qualquer coisa", arremata.