Mário Frias tem empresas do gabinete na mira da PF

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Operação "Make Up" da PF investiga empresas ligadas ao gabinete de Mário Frias e à ONG de Karina da Gama por desvio de emendas parlamentares
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação "Make Up", que investiga o financiamento do filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A ação, conduzida em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), cumpriu 49 mandados de busca e apreensão e mirou, entre outros alvos, empresas ligadas ao gabinete do deputado federal Mário Frias (PL-SP), em Brasília. Entre os investigados estão os empresários André Feldman e Wemerson Marinho da Gama, ex-marido de Karina Ferreira da Gama, produtora do filme sobre Bolsonaro.
Mário Frias atua como produtor-executivo de "Dark Horse", e Karina da Gama prestou serviços de campanha para o parlamentar durante as eleições de 2022. A operação não conta com mandados de prisão.
Segundo o portal da Transparência da Câmara dos Deputados, a empresa Complexsys Soluções Integradas Ltda, de André Feldman, recebeu R$ 154 mil do gabinete de Mário Frias entre setembro de 2024 e abril de 2026, recursos provenientes da cota parlamentar. Já a empresa GTrend, de Wemerson Marinho da Gama, recebeu R$ 115,6 mil do mesmo gabinete entre abril de 2023 e agosto de 2024. Além dos repasses do gabinete, a Complexsys emitiu diversas notas de prestação de serviço de auditoria de pontos de wi-fi para o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade que detém um contrato milionário com a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) na capital paulista.
A empresa Fastfuture Tecnologias Emergentes Ltda, da esposa de André Feldman, Débora Feldman, também emitiu notas fiscais para o ICB dentro desse contrato. Wemerson Marinho da Gama ocupava o cargo de secretário-geral do ICB na época da assinatura do contrato com a gestão Nunes. Mário Frias, André Feldman, Wemerson Marinho da Gama e Débora Feldman figuram entre as 49 empresas e pessoas físicas investigadas no inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Flávio Dino. **O esquema investigado** A investigação apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. Segundo a PF, uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados teria direcionado recursos repassados a uma organização da sociedade civil para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação de que os serviços foram efetivamente prestados.
A PF identificou movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao esquema e afirma que as tentativas de ocultar os desvios continuaram até julho deste ano. Os crimes investigados incluem peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. Uma auditoria da CGU apontou suspeita de desvio da emenda de R$ 2 milhões indicada por Mário Frias para entidades de Karina da Gama, com gastos não comprovados. Em maio, o parlamentar enviou uma manifestação ao STF na qual negou que as emendas enviadas para ONGs ligadas à produtora do filme de Bolsonaro tenham sido enviadas a "qualquer produção cinematográfica". Os demais citados na operação foram procurados pela reportagem, mas ainda não se pronunciaram.
Há duas investigações em curso sob a supervisão de ministros do STF sobre o filme "Dark Horse". O caso sob relatoria de Flávio Dino se concentra no possível uso irregular de emendas parlamentares e dinheiro público que chegou a entidades e empresas ligadas à produtora do filme. Um segundo inquérito, sob relatoria do ministro André Mendonça, examina os repasses feitos pelo ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, do Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, e o percurso desse dinheiro. Em maio, o site Intercept Brasil revelou uma troca de mensagens e um áudio em que Flávio Bolsonaro cobrava dinheiro de Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. Segundo a reportagem, Vorcaro pagou ao menos R$ 61 milhões em 2025. O dinheiro teria sido transferido para um fundo nos Estados Unidos administrado por um advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), irmão de Flávio.
Na quarta-feira (9), o ministro André Mendonça homologou o acordo de delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como "Mineiro", dono da Entre Investimentos, empresa que, a mando de Vorcaro, fez repasses para o filme "Dark Horse". O empresário afirmou em sua delação — assinada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 8 de agosto — que era responsável por "gerar" dinheiro vivo para a equipe de Vorcaro. O dinheiro era entregue em malas e, segundo ele, seria usado para pagamentos de propina. "Mineiro" disse ainda que fez sete repasses, a título de "subscrições de cotas", para o fundo Havengate nos Estados Unidos, administrado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos EUA.
As transações foram realizadas de janeiro a setembro de 2025 e totalizaram US$ 12,333 milhões — equivalentes a R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro de 2025. Flávio Bolsonaro vinha afirmando que o último pagamento de Vorcaro havia sido em maio de 2025, mas o pagamento de setembro, no valor de US$ 1,666 milhão, contraria essa afirmação. O Instituto Conhecer Brasil, de Karina da Gama, também é investigado pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. A entidade possui um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de wi-fi gratuitos na periferia. O contrato previa a instalação de 5 mil pontos até junho de 2025, mas apenas 3.200 foram instalados até o momento. Ao menos três aditivos foram assinados, alterando a data de entrega total do serviço, e o MP apura se houve irregularidades na contratação do instituto. A PF investiga se a totalidade do dinheiro foi usada no filme "Dark Horse", como afirmam Flávio Bolsonaro e a produtora Go Up, ou se uma parte foi destinada a outros fins, como bancar Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.