Maria Rita volta aos palcos em BH após burnout

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Maria Rita traz o projeto "Redescobrir Vol. 2" a Belo Horizonte após período de afastamento por burnout, com músicas de Elis Regina
A cantora Maria Rita revelou estar "bastante ansiosa" com o reencontro com o público de Belo Horizonte, em entrevista concedida antes de sua apresentação na Arena Hall, no bairro Savassi, com o projeto "Redescobrir Vol. 2". O show, que reúne músicas do repertório de sua mãe, Elis Regina (1945-1982), chega após um período de afastamento motivado por um diagnóstico de burnout, em 2024, que a tirou dos palcos depois de mais de 20 anos de carreira e oito prêmios Grammy Latino. A artista, que completou 49 anos recentemente, descreveu a relação com a capital mineira como algo construído ao longo de décadas. "Esse mesmo público já me pega no colo desde antes da minha primeira turnê, do Maria Rita. Desenvolvi uma relação de muito afeto com a cidade, com os compositores, com a música de BH e de Minas (e isso não é segredo para ninguém)", afirmou.
"Redescobrir Vol. 2" é a continuação do projeto com o qual Maria Rita percorreu o país em 2012 e que ganhou registro audiovisual. A nova empreitada, porém, carrega um peso diferente. Foram quase dois anos afastada dos palcos, período em que a cantora chegou a um nível de esgotamento tão profundo que quase abandonou a carreira. Foi justamente nesse intervalo que surgiu a ideia de mergulhar novamente no repertório de Elis Regina e lançar a segunda parte de "Redescobrir". Se o primeiro volume foi descrito por ela como uma homenagem à mãe e aos fãs, a continuação tem uma dedicatória diferente: a própria Maria Rita. "Esse show é pra mim, pois nasce de um momento de absoluta perda de rumo e entendimento do que eu deveria – ou poderia – estar fazendo, tanto na minha vida profissional como pessoal. Foram alguns anos de muita sombra e pouca luz, e isso mexeu profundamente comigo", explicou a cantora.
A imagem que deu origem ao espetáculo surgiu em um momento de desânimo. "Numa tarde desesperançosa, sentada numa sala sem sol, eu vi essa imagem, de um palco todo branco e eu de vermelho no centro: era o início da concepção do que venho apresentando. Com o passar dos meses, entendi que aquilo era um coração; entendi o tamanho da força do palco para a minha recuperação; entendi que só tinha uma pessoa que poderia me guiar e acolher naquele momento: minha mãe", descreveu. "Não tinha como ser qualquer outro repertório", frisou Maria Rita. "Esse show é minha busca consciente por ela, pelo colo dela. Cada canção recebe uma interpretação minha, a partir da minha vivência e necessidade de sobrevivência. É um show, portanto, para mim", detalhou a artista, que estreou a turnê em julho, em Brasília, e seguirá viajando pelo país até dezembro.
O projeto ganhou ainda uma dimensão familiar especial: Antonio Baldini, filho de Maria Rita, integrou a banda como violonista da turnê, tocando ao lado da mãe as canções que remetem à avó que nunca chegou a conhecer. "Eu sou muito, muito fã dos meus filhos. Tê-lo comigo nesse projeto me fortalece, porque percebo o quanto ele confia em mim e, consequentemente, nele mesmo", contou a cantora, sem esconder o orgulho. "Eu babo, mesmo. Me emociono. Me desconcentro, é uma loucura!", afirmou, entre risos. Sobre o processo de recuperação, Maria Rita foi direta ao admitir que ainda está em curso. "Ainda estou aprendendo. Ainda me dói e confunde, mas levo um dia de cada vez. É só o que eu posso fazer, porque é verdade", afirmou.
Mesmo assim, garantiu que a entrega em cena permanece irrestrita. O que mudou, segundo ela, foi a consciência do que está em jogo. "Os riscos hoje são maiores, porque eu tenho mais a perder do que antes", ponderou. Ao resumir o que essa travessia lhe devolveu, além da música, a cantora foi direta: "Redescobri a importância da calma e do silêncio. Redescobri a segurança do não. Redescobri o sol, o sorriso e o colo dos meus filhos." Quanto ao futuro após um projeto tão significativo, Maria Rita preferiu não antecipar passos. "Estou me permitindo o um dia de cada vez. Essa pressão (quase doentia) do meu mercado pelo próximo passo sem nem ter dado o atual é muito maluca!", disse. A artista encerrou com uma reflexão sobre o simples fato de estar presente: "Eu estou aqui. Uns dias sei que estou mais inteira que outros, mas estou aqui. E, pra quem sentiu e aceitou que não mais estar aqui seria uma solução plausível, estar aqui é coisa à beça!"