Senadores dos EUA enviam carta sobre interferência nas eleições do Brasil

Foto: FMT
Três senadores democratas pedem que Marco Rubio garanta não interferência nas eleições brasileiras de 2026
Três senadores democratas dos Estados Unidos enviaram uma carta ao secretário de Estado Marco Rubio alertando o governo de Donald Trump sobre uma possível interferência na eleição presidencial do Brasil, marcada para outubro de 2026. O documento foi revelado pelo site americano "The Hill" e também obtido pelo UOL. A carta foi assinada pelos senadores Jeanne Shaheen (New Hampshire), Tim Kaine (Virginia) e Peter Welch (Vermont). No texto, os parlamentares questionam diretamente as intenções de Washington em relação ao pleito brasileiro: "O governo se comprometerá a reconhecer o resultado certificado das eleições democráticas de 2026 no Brasil e a apoiar relações diplomáticas normais com qualquer candidato que seja livre e justamente escolhido pelo povo brasileiro?".
Os senadores pediram uma resposta formal de Marco Rubio sobre essa questão e sobre como o governo tem atuado junto aos aliados latino-americanos. Esta é a segunda carta que Marco Rubio recebe, em poucos dias, de parlamentares democratas manifestando preocupação com as ações de Washington em relação às eleições no Brasil. Na semana anterior, 30 deputados e o senador independente Bernie Sanders (Vermont) — que havia se encontrado recentemente com o presidente Lula em Nova York — também escreveram a Rubio para questionar as atitudes e intenções do governo Trump. "As ações mais recentes da administração apontam para uma aparente tentativa de interferir e potencialmente minar as eleições gerais do Brasil em outubro", diz um trecho dessa carta, revelada pela Folha e igualmente obtida pelo UOL.
Na conversa com Lula, Sanders perguntou sobre as ações da gestão Trump em relação às eleições e ouviu do petista que o governo brasileiro segue "vigilante". As duas manifestações citam uma série de episódios como exemplos de potenciais interferências: o tarifaço contra o Brasil (atualmente em 37,5%), investigações comerciais, a recente visita do senador Flávio Bolsonaro ao Salão Oval da Casa Branca — descrita na carta como "feita enquanto ele tentava mitigar um escândalo doméstico", em referência ao caso Dark Horse — e a designação das facções CV e PCC como "terroristas", em resposta a um pedido do próprio Flávio. A carta dos senadores cita ainda, nominalmente, Darren Beattie, assessor de Marco Rubio para assuntos do Brasil no Departamento de Estado. Beattie é descrito como próximo aos republicanos MAGA Stephen Miller e Matt Gaetz, considerado ideologicamente de extrema direita e muito próximo a Eduardo e Flávio Bolsonaro.
Segundo os parlamentares, as agressões contra o Brasil carregam as digitais de Beattie. "Beattie, um conhecido extremista de extrema direita e supremacista branco, assumiu o cargo com um histórico de declarações públicas que sinalizavam um compromisso ideológico explícito em minar as instituições democráticas do Brasil e promover os interesses da extrema-direita brasileira", escreveram os senadores. No início do ano, Beattie teve seu visto brasileiro revogado após afirmar que visitaria o país para reuniões com o governo. Formalmente, dias antes de embarcar, havia solicitado apenas à Justiça autorização para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpria parte de uma sentença de mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes, na Penitenciária da Papudinha, no Distrito Federal. As duas cartas refletem uma preocupação crescente dentro do Partido Democrata, cujos membros passaram a prestar mais atenção nas eleições brasileiras e nas ações de Washington. Organizações da sociedade civil, como o CEPR (Centro de Pesquisa de Política Econômica) e o Washington Brazil Office, têm mantido intensa interlocução com o Congresso dos EUA nesse contexto.