Marco Rubio percorre América do Sul com atenção à presença militar dos EUA

Foto: FMT
Secretário de Estado americano visita Colômbia, Equador e Peru; Planalto acompanha a turnê com atenção especial à presença militar dos EUA na região
O secretário de Estado americano Marco Rubio realiza, nesta semana, uma turnê por três países da América do Sul: Colômbia, Equador e Peru. Os três países são governados por presidentes de direita e extrema direita que chegaram ao poder recentemente, e todos aderiram ao Escudo das Américas, a aliança de segurança regional lançada pelo governo Trump. Em Brasília, o governo Lula acompanha de perto os movimentos de Marco Rubio pela região. Fontes diplomáticas confirmaram que, por enquanto, nada de alarmante foi registrado, mas o Palácio do Planalto mantém atenção especial à turnê, preocupado sobretudo com a presença militar americana na América Latina.
A primeira parada de Marco Rubio foi a cidade colombiana de Barranquilla, onde governa Abelardo de la Espriella, empossado há menos de dois meses. Na ocasião, a imprensa local questionou o secretário de Estado sobre um eventual pedido de ajuda militar ao governo americano. Rubio foi direto: "os colombianos nunca pediram que soldados americanos entrassem na Colômbia para enfrentar os cartéis de drogas. Eles pediram ajuda e treinamento". Segundo Marco Rubio, a cooperação solicitada por Bogotá está concentrada em equipamentos como radares, drones, helicópteros e sistemas de inteligência, além de treinamento especializado. Nada de "boots on the ground" (tropas em terreno), como ocorre no Equador. Fontes diplomáticas em Bogotá explicaram que a Colômbia tem décadas de experiência no combate ao crime organizado, ao narcotráfico e às guerrilhas, o que justifica o perfil das demandas apresentadas por De la Espriella.
O novo presidente colombiano, advogado penalista que construiu sua fortuna defendendo, entre outros, líderes narcotraficantes e paramilitares, já ordenou três bombardeios contra estruturas de dissidências das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e outras organizações criminosas em suas primeiras semanas no poder, resultando na morte de 20 guerrilheiros dissidentes. Antes da visita de Marco Rubio, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, havia declarado que o governo colombiano autorizara operações militares conjuntas contra o narcotráfico em solo colombiano, o que gerou especulações sobre eventual presença de militares americanos no país. Rubio, no entanto, negou essa possibilidade por enquanto.
O Equador, que enfrenta uma grave crise de segurança interna nos últimos anos, tem necessidades distintas das colombianas e já conta com atuação americana em campo. No encontro entre Marco Rubio e o presidente Daniel Noboa, em Quito, os temas centrais são a segurança e o combate ao narcotráfico. O país deve reforçar a necessidade de continuar realizando operações conjuntas, e a extradição de chefes do crime organizado para os EUA também deve entrar na pauta. Diferentemente da Colômbia, o Equador abriu as portas do país para os militares americanos diante da gravidade da crise interna.
No Peru, o novo governo de Keiko Fujimori, também empossada há menos de dois meses, receberá Marco Rubio na quinta-feira. As conversas devem girar em torno da segurança e da incorporação do país ao Escudo das Américas. Analistas em Lima descartam, no entanto, que seja solicitada a presença de militares americanos em campo. Outro tema que deve marcar o encontro é a relação do Peru com a China, sócio comercial de grande peso para o país e fonte de tensão na relação entre Lima e Washington.
Os três países também aproveitam as visitas de Marco Rubio para pressionar por uma revisão das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Na Colômbia, De la Espriella pediu a suspensão das tarifas, alegando impacto negativo sobre as exportações e citando o terremoto de agosto como agravante econômico. Rubio respondeu apenas que "estamos trabalhando nisso", sem dar maiores detalhes.
A Colômbia foi alvo de uma investigação da chamada Seção 301, dispositivo da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974 que autoriza o Escritório do Representante Comercial dos EUA a aplicar taxas comerciais, e foi taxada em 12,5%. Equador e Peru foram alvo de taxa de 10%. A turnê de Marco Rubio pela América do Sul evidencia o reposicionamento dos Estados Unidos na região, com foco em segurança, combate ao narcotráfico e fortalecimento de alianças com governos de direita, enquanto o governo brasileiro mantém vigilância sobre os desdobramentos dessas movimentações.