Lula rompe padrão histórico e vê avaliação negativa crescer na campanha

Presidente Lula - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Pela primeira vez desde 1998, um presidente em campanha pela reeleição registra queda nos índices positivos e alta nos negativos, segundo o Datafolha
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está quebrando uma tendência histórica entre os presidentes que concorreram à reeleição no Brasil. Ao contrário de seus antecessores, Lula não consegue registrar melhoras expressivas em seus índices de popularidade durante a campanha eleitoral de 2026.
Dados históricos do instituto Datafolha indicam que, desde 1998, presidentes em busca de um novo mandato costumam crescer nas pesquisas de avaliação ao longo da campanha. Com Lula, porém, o movimento tem sido inverso.
A pesquisa Datafolha divulgada na última quinta-feira (17/9) mostra que os índices negativos cresceram mais do que os positivos: os que avaliam o governo como "ótimo" ou "bom" subiram de 32% em julho para 34% em setembro, enquanto os que consideram o governo "ruim" ou "péssimo" foram de 38% para 42%.
A dificuldade em alavancar a popularidade tem sido apontada pela própria campanha como o principal obstáculo de Lula também nas pesquisas de intenção de voto, nas quais o presidente aparece tecnicamente empatado com o senador Flávio Bolsonaro (PL) e, em muitos cenários, numericamente atrás.
Diante desse quadro, nos últimos dias Lula passou a apostar em medidas de apelo popular. Entre elas, está o reajuste de 15% no valor do Bolsa Família, anunciado a duas semanas do primeiro turno das eleições. O presidente também prometeu incluir canetas emagrecedoras no SUS e adotou uma postura mais enfática na defesa do fim das bets, tema que deve ser objeto de uma medida do governo nos próximos dias.
O histórico dos presidentes reeleitos
O levantamento do Datafolha revela um padrão consistente entre os presidentes que disputaram a reeleição desde 1998. Fernando Henrique Cardoso, o primeiro a concorrer a um segundo mandato, tinha 38% de avaliações "ótimo" ou "bom" e 19% de "ruim" ou "péssimo" em julho daquele ano. Em setembro, os números positivos subiram para 43% e os negativos recuaram para 17%.
Em 2006, o próprio Lula seguiu a mesma trajetória ascendente na campanha que o levou ao segundo mandato: saiu de 38% de ótimo/bom em julho para 46% em setembro e chegou a 53% em outubro, enquanto as avaliações negativas caíram de 21% para 15% no mesmo período.
Em 2014, Dilma Rousseff também registrou melhora consistente ao longo da campanha. Partiu de 32% de ótimo/bom em julho, chegou a 37% em setembro e atingiu 42% em outubro, ao mesmo tempo em que as avaliações mais negativas recuaram de 29% para 20% antes de sua reeleição.
Mesmo Jair Bolsonaro, que acabou derrotado por Lula em 2022, seguiu o mesmo caminho de seus antecessores durante a campanha: as avaliações positivas subiram de 28% para 31%, enquanto as negativas caíram de 45% para 42%.
O cenário atual de Lula, portanto, representa uma ruptura inédita com esse padrão histórico, em que todos os presidentes em exercício que disputaram a reeleição conseguiram ao menos melhorar sua imagem junto ao eleitorado ao longo da campanha.