Lula critica Mendonça e defende que dados de celular de Vorcaro sejam públicos

Presidente Lula em entrevista coletiva após o fim da Cúpula do G7 - © Ricardo Stuckert/PR
Lula afirma que André Mendonça usou o cargo "para fazer política" e defende que dados do celular de Vorcaro sejam tornados públicos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira (17), que o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), utilizava o cargo "para fazer política". O presidente também defendeu que as informações extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro sejam tornadas públicas "para o povo saber a verdade". As declarações foram feitas durante entrevista à rádio Itatiaia, ao comentar os desdobramentos das investigações relacionadas ao Banco Master. Lula ainda defendeu que os casos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça sejam analisados conjuntamente pela Corte.
Ao falar sobre o celular de Vorcaro, que esteve sob custódia de Mendonça, Lula foi direto: "E agora que o telefone [de Daniel Vorcaro], que estava com o André Mendonça, que estava utilizando o cargo dele para fazer política, está provado que estava fazendo política, fazendo denúncia seletiva, divulgando o que interessava para ele. Então nós estamos certos que isso ainda vai render muito na política". O presidente também comentou a distribuição das cópias dos dados do aparelho a outros ministros do STF: "Aquele famoso telefone secreto que parecia que estava em outro planeta na mão do André Mendonça, só ele sabia da notícia e ia vazando, agora está na mão do Gilmar [Mendes], está na mão do Flávio Dino, está na mão do Zanin, está na mão de outros ministros da Suprema Corte. Agora é começar a vazar o que precisa vazar de verdade para o povo saber a verdade".
Na segunda-feira (14), a Polícia Federal (PF) havia informado que entregou cópias dos dados extraídos do celular apreendido de Daniel Vorcaro aos gabinetes dos ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. O aparelho foi apreendido em novembro, durante a Operação Compliance Zero, e reúne as mensagens citadas pela PF no relatório usado por Mendonça para pedir uma investigação contra Moraes.
Durante a entrevista, Lula também citou o julgamento do STF sobre a relação do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro. Um relatório da PF encontrou 52 mensagens de Vorcaro que tinham Moraes como destinatário. Para o presidente, os dois casos devem ser apreciados no mesmo momento pela Corte. "Se quiser fazer justiça na votação, tem que colocar todo mundo no mesmo dia. Vamos saber se telefonema é verdade, se [Luiz] Fux está envolvido, se [André] Mendonça está envolvido, se o presidente do TSE [Tribunal Superior Eleitoral] está envolvido. O que não pode é julgar uma pessoa antes das eleições e o restante depois. Todo mundo agora já tem material, é só tornar público", declarou. Lula também afirmou que a Suprema Corte "tem que ser respeitada" e que os fatos em apuração devem ser esclarecidos de forma transparente. "Suprema Corte tem que ser respeitada. Se não tiver respeito, fica difícil acreditar que é a guardiã da Constituição. É a única instância da qual não se pode recorrer. Por isso, é importante que seja mais séria que o restante da sociedade", disse.
Nesta quinta, o caso ganhou novos capítulos. O ministro Flávio Dino afirmou ter identificado indícios de ligação de Vorcaro com uma nova concessionária de cemitérios e determinou o envio das informações à PF para aprofundamento das investigações. No mesmo dia, a PF intimou Vorcaro e o pai dele para prestar depoimento. Também nesta quinta, Mendonça se manifestou publicamente. O ministro afirmou que não tem "nada a temer", disse que já esperava sofrer represálias e negou ter cometido irregularidades ou ter atuado por motivação política. Em meio à crise no STF, o presidente em exercício da Corte, Edson Fachin, cancelou uma sessão do tribunal e adiou o julgamento relacionado a Mendonça. A decisão ocorreu após dias de tensão entre ministros e novos desdobramentos das investigações ligadas ao Caso Master. Foi nesse contexto que Lula reforçou sua defesa de que as análises envolvendo Moraes e Mendonça ocorram de forma simultânea, com tratamento semelhante a todos os citados nas investigações.