Jota Quest celebra 30 anos com álbum dedicado a Tim Maia no Rock in Rio

Foto: Jota Quest/Divulgação
Banda mineira lança álbum com 16 faixas do repertório de Tim Maia e se apresenta no Rock in Rio para marcar três décadas de carreira
O Jota Quest sobe ao palco Sunset do Rock in Rio no próximo domingo (6/9) para dar início às comemorações dos 30 anos de carreira fonográfica da banda mineira. A celebração vem acompanhada de um recém-lançado álbum dedicado ao repertório de Tim Maia, intitulado "Jota Quest & Tim Maia: Dance Enquanto É Tempo".
Com 16 faixas que misturam hits consagrados com canções menos conhecidas, o álbum já carrega no título uma referência ao primeiro contato do quinteto com Tim Maia. No disco de estreia da banda, havia uma regravação de "Dance Enquanto É Tempo", e o grupo precisou ligar para o compositor para pedir autorização.
PJ, baixista e produtor do novo trabalho, recorda que a conversa foi marcante: "Ele obviamente não sabia nada da banda; éramos conhecidos somente no cenário mineiro da música, mas se amarrou na gente porque não tínhamos escolhido um hit tão famoso do repertório dele."
Os metais e os backing vocals femininos
O Jota Quest sempre fez uso intenso de metais em gravações e shows, e esses instrumentos ganham ainda mais peso nas regravações do novo álbum.
"Tim é voz, letra e melodia, claro. E depois são os riffs dos metais. Não tem riff de guitarra; até o baixo fica abaixo dos metais. Respeitamos isso. Não tem como mudar esses riffs clássicos e geniais", afirma PJ.
O vocalista Rogério Flausino destaca outro elemento central do disco: "Além dos metais, o disco tem uma coisa muito importante. São os backing vocals femininos. As meninas se juntaram à dupla masculina que a gente sempre teve, para fazer um paredão de voz."
PJ reforça que esse tipo de backing vocal desapareceu da música pop brasileira há muito tempo: "Falei para os homens ficarem atrás, para deixar a mulherada cantar."
Um álbum antialgoritmo
Na avaliação do produtor, o trabalho vai na contramão das tendências atuais da indústria musical.
"Não foi feito para seguir as regras atuais da indústria musical. Teve muita pesquisa e foi tudo gravado analogicamente. Baixo, guitarra, bateria. Eu brinco que nós lançamos uma coisa que ou não vai dar em nada ou vai ser muito legal."
O disco conta com participações especiais de peso. Além de trechos de voz do próprio Tim Maia incorporados às gravações, participam nos vocais Negra Li, Mãeana, Os Garotin, Thiaguinho, Tony Tornado e Lincoln Tornado.
Na percussão, estão Mauro Refosco, que trabalha com o Red Hot Chili Peppers, e Carlinhos Brown.
"Não chamei o Brown para cantar. Ele se empolgou, disse que há décadas ninguém o chamava apenas para a percussão", conta PJ.
O baixista destaca a carga emocional na participação de Tony Tornado, que colaborou no primeiro álbum da banda.
"Depois de 30 anos, ele volta. Está muito lúcido, com 96 anos, e cantando muito."
Flausino também agradece a Carmelo Maia, filho de Tim: "Fazer isso sem o abraço do Carmelo seria impossível. Ele esteve com a gente o tempo inteiro. Deu sugestões, contou muita história legal."
O repertório inclui músicas dançantes como "Descobridor dos Sete Mares", "Não Quero Dinheiro", "Acenda o Farol" e "Réu Confesso", além de baladas como "Primavera" e "Azul da Cor do Mar".
Flausino traça um paralelo com a identidade do Jota Quest: "Como dizia o Tim Maia, um bom baile é feito de metade 'mela cueca' e metade 'esquenta sovaco'. Show do Jota Quest é para dançar, mas também para abraçar e beijar. E agora a gente vai fazer com as músicas do cara que nos ensinou o caminho das pedras. Tim sempre foi o nosso professor."
A escolha do repertório foi, segundo os integrantes, um processo natural. O projeto começou como demos, evoluiu para um EP e acabou se tornando um álbum completo. A proposta de homenagear Tim Maia rondava a banda desde a morte do cantor.
"O PJ fez a primeira, 'Acenda o Farol', depois veio a segunda, a terceira... E pela primeira vez a gente não discutiu sobre repertório", conta Flausino.
O vocalista explica o motivo: "Quando você está fazendo um disco da banda, faz alguma coisa sozinho e depois mostra para os outros. Antes de mais nada, você tem que convencer o coleguinha do seu lado, tem que vender o peixe. Você está apaixonado pela música e aí nem todo mundo gosta."
Tim Maia, porém, é unanimidade no Jota Quest, que tem também Marco Túlio (guitarra), Paulinho Fonseca (bateria) e Márcio Buzelin (teclados).
"Todos amam as músicas do Tim, e uma hora a gente percebeu que era preciso parar de gravar, já tinha muita coisa. Ficou um monte de música para trás. O disco mais tranquilo e com mais tesão da carreira foi esse", define Flausino.
Após o Rock in Rio, a banda pretende realizar shows do disco-tributo, mas em ritmo menor do que o habitual. Na última turnê, concluída no ano passado, foram 280 shows em 30 meses.
"A gente vai dar uma rodada, mas ainda não sabe a medida disso. A gente quer fazer Rio e São Paulo ainda esse ano. A gente tomou a decisão de baixar a bola, diminuir o número de apresentações. E isso começa com esse projeto do Tim. Vamos fazer shows, mas poucos.
Mas a loucura volta, temos na programação uma turnê grande em 2028", afirma Flausino.
Além do álbum "Jota Quest & Tim Maia: Dance Enquanto É Tempo", lançado em formato digital e vinil, as comemorações dos 30 anos de carreira incluem o relançamento do primeiro álbum, "Jota Quest", de 1996, em inédita edição em vinil.