Idoso de 72 anos morre depois de 2 meses de coma após espancamento em ônibus

Foto: Divulgação/PMMG
Aposentado de 72 anos ficou dois meses em coma após ser agredido em ônibus; família nega acusação e pede investigação
O aposentado José Carlos Marques, de 72 anos, morreu neste domingo (20), em Belo Horizonte, após permanecer internado em coma por aproximadamente dois meses. Ele havia sido espancado depois de ser acusado de importunação sexual dentro de um ônibus da linha 61, na Região Central da capital. A família nega que o idoso tenha cometido qualquer crime e questiona tanto as circunstâncias das agressões quanto o atendimento médico recebido após o espancamento. José Carlos Marques morava na região de Venda Nova e, apesar de aposentado, havia retornado ao mercado de trabalho para complementar a renda, atuando como manobrista em um estacionamento no Centro de Belo Horizonte. Ele era casado há 25 anos e deixou cinco filhos, netos e bisnetos, segundo a sobrinha Dorcelina Jenifer da Silva. "Ele deixou cinco filhos, deixou netos, bisnetos, né? Ele tem mulher, é casado há 25 anos", relatou Dorcelina.
José Carlos Marques estava a caminho do trabalho quando entrou no ônibus da linha 61, que seguia em direção à Região Central de Belo Horizonte. Segundo os familiares, o coletivo estava lotado. Durante a viagem, uma pessoa acusou o idoso de importunação sexual, afirmando que ele teria encostado as partes íntimas em uma mulher. A família afirma que José Carlos Marques negou a acusação. Ainda segundo os familiares, uma testemunha teria relatado posteriormente que a própria mulher apontada como vítima não teria percebido ou confirmado a suposta importunação. Outra pessoa, no entanto, afirmou ter visto o contato.
Após a acusação, passageiros começaram a agredir José Carlos Marques. Ele foi retirado do ônibus e continuou sendo espancado do lado de fora, recebendo chutes, socos e pisões, inclusive na cabeça. O advogado Gilmar Francisco, que representa a família, afirma que imagens de câmeras de segurança registraram as agressões. "As imagens são bem claras, nítidas e identificáveis. São quatro agressores que praticam agressões diversas na região do membro superior, cabeça, tronco, que vitimaram o senhor José Carlos", afirmou. Até o momento, não há informação sobre a prisão dos envolvidos.
Após ser espancado, José Carlos Marques foi levado para atendimento médico. A irmã dele, Sandra Helena Marques, afirma que o idoso apresentava sinais graves, como sangramento pelo nariz e pelos olhos e vômito com sangue. Segundo ela, José Carlos Marques foi levado inicialmente para uma UPA, e a família questiona o atendimento recebido no local, afirmando que ele teria sido liberado com prescrição de ibuprofeno e dipirona. "Com o tamanho da lesão que ele tinha, lesões aparentes, ele estava vomitando sangue, sangue escorrendo pelos olhos, pelo nariz, e levaram ele para uma UPA onde não tem a aparelhagem necessária para poder diagnosticar a lesão que ele tinha no cérebro", afirmou Sandra. Ainda segundo a irmã, José Carlos Marques teria sido encaminhado posteriormente ao Hospital João XXIII, quando o estado de saúde já era considerado grave. Ele sofreu traumatismo craniano e permaneceu internado em coma por aproximadamente dois meses, até morrer neste domingo (20).
Os familiares negam que José Carlos Marques tenha cometido importunação sexual. A sobrinha Dorcelina afirma que uma testemunha contou à família que a própria mulher apontada como vítima teria dito que não havia percebido a suposta importunação, pois estava com uma mochila na frente do corpo. "Teve uma testemunha que nos relatou que a própria pessoa que foi importunada falou que não tinha observado isso, que estava com a mochila na frente e tudo mais e não tinha observado", afirmou. A defesa também sustenta que José Carlos Marques pode ter encostado involuntariamente em alguém por causa da lotação do ônibus. "Ele possa ter esbarrado, no ônibus cheio, com a mochila, possa ter esbarrado involuntariamente em alguma pessoa dentro do ônibus", afirmou o advogado Gilmar Francisco.
Segundo ele, passageiros teriam decidido fazer justiça com as próprias mãos após a acusação feita dentro do coletivo. Diante da morte do idoso, o advogado afirma que pretende acompanhar a investigação para que o caso seja analisado como homicídio. "Nós iremos acompanhar o inquérito, juntar a certidão de óbito para que se confirme e tipifique o crime de homicídio", afirmou.
A classificação jurídica definitiva do caso depende da investigação e da atuação das autoridades competentes. Sandra Helena afirma que o irmão foi acusado, agredido e não teve oportunidade de se defender. "A gente quer justiça porque foi com a sequência de negligência que culminou na morte hoje do meu irmão. Dentro de um ônibus, ele foi acusado, julgado, condenado e executado sem ter a menor chance de defesa", afirmou. A sobrinha Dorcelina também pediu que o caso não seja arquivado: "Nós pedimos às autoridades que venham realizar todo esse processo. A gente pede justiça, pede que não seja arquivado, que seja feita mesmo a justiça". A família e a defesa sustentam que José Carlos Marques foi vítima de uma acusação injusta e de um linchamento, enquanto as circunstâncias da suposta importunação e das agressões ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades.