Gaza tem 21 mortos em desabamento

Bombardeios em Gaza
Prédio de seis andares desaba em Gaza durante a noite e mata 21 pessoas, entre elas 12 crianças e cinco mulheres
Pelo menos 21 pessoas morreram, incluindo 12 crianças e cinco mulheres, após o desabamento de um prédio de seis andares na Cidade de Gaza na madrugada de quarta-feira (16). A informação foi confirmada pelas autoridades do território palestino, devastado por anos de conflito armado. O edifício, localizado na região de Tal al Hawa, tinha quatro apartamentos por andar e desabou sobre casas e barracas próximas, segundo a Defesa Civil, que atua como serviço de resgate sob a autoridade do Hamas. O colapso ocorreu durante a noite, enquanto dezenas de pessoas que haviam encontrado refúgio improvisado no local dormiam, o que explica o elevado número de vítimas. No hospital Al Shifa, na Cidade de Gaza, jornalistas da AFP presenciaram homens em lágrimas carregando corpos de crianças envoltos em mortalhas brancas. Familiares se agachavam no chão para se despedir de seus entes queridos, beijando os rostos dos mortos entre soluços.
A Defesa Civil informou que suas equipes de resgate, "após horas de trabalho árduo... retiraram os corpos de 21 pessoas que haviam ficado presas sob os escombros". O órgão acrescentou que ajudou a transportar 45 feridos para o hospital. O Ministério do Interior e o Ministério da Saúde de Gaza confirmaram o mesmo balanço de vítimas. O prédio havia sido bombardeado diversas vezes em 2024 e em março de 2025, o que motivou alertas para que os moradores de Gaza não retornassem ao local, segundo o porta-voz da Defesa Civil, Mahmud Bassal.
A Defesa Civil explicou que precisava trabalhar com "equipamentos limitados e ferramentas rudimentares" e acusou Israel de "impedir a entrada de máquinas pesadas" na Faixa de Gaza. A situação desesperadora foi descrita por moradores que acompanhavam os trabalhos de busca. "Meu amigo e meus vizinhos moram neste prédio. Vim ajudá-lo a recuperar algumas roupas e colchões. Ele já não tem nenhum abrigo, nem casa", afirmou Mohannad Al Mashharawi, um jovem que observava as operações de resgate. Ahmed Al Ajla, cujo tio e outros familiares morreram no desabamento, foi ainda mais direto ao avaliar o risco que os sobreviventes enfrentam diariamente. "Esses prédios são bombas-relógio", destacou. "A guerra não acabou porque ainda há bombas-relógio na forma de casas à beira do colapso", acrescentou. O porta-voz Bassal explicou que os deslocados não têm alternativa senão ocupar estruturas comprometidas. "Eles não têm outra opção. Sem barracas, nem casas disponíveis, vivem em prédios com rachaduras e danificados, apesar do risco de desabamento", disse.
A Defesa Civil identificou quase 2.000 prédios na Faixa de Gaza em risco de colapso. O Hamas, por sua vez, responsabilizou Israel e a comunidade internacional pela tragédia. "Consideramos a ocupação israelense e a comunidade internacional plena e diretamente responsáveis pela catástrofe que nosso povo palestino está sofrendo", acusou o grupo. "Também os responsabilizamos por todas as consequências e repercussões da contínua, perigosa e sem precedentes deterioração humanitária que mais de 2,4 milhões de pessoas sofrem na Faixa de Gaza", acrescentou. O departamento de imprensa do governo de Gaza, controlado pelo Hamas, atribuiu o desabamento aos atrasos na prometida reconstrução do território.
A campanha de bombardeios israelenses em Gaza, iniciada em resposta ao ataque de 7 de outubro de 2023 do Hamas contra Israel — que matou mais de 1.200 pessoas —, deixou mais de 73.000 palestinos mortos, segundo o Ministério da Saúde do território palestino. Israel permitiu a entrada de ajuda adicional na Faixa desde a declaração de um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em outubro de 2025. No entanto, o Exército israelense prossegue com os ataques e restringe a entrada de equipamentos que, segundo afirma, também poderiam ter uso militar.