Gaza registra alta em casamentos forçados, diz ONU

Foto: Freepick
ONU aponta aumento de 27% na violência de gênero em Gaza, com crescimento de casos de exploração sexual e casamentos forçados de meninas
A violência de gênero em Gaza registrou um aumento de 27% entre abril e junho de 2026, segundo relatórios do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Os dados apontam crescimento nos casos de abuso sexual, exploração e casamentos forçados de meninas, em um cenário de crise humanitária agravada pelo conflito. Os casos de violência sexual passaram a representar 2,7% das ocorrências de violência de gênero registradas no período, ante 2,1% no trimestre anterior. Em números absolutos, o aumento foi de 61%, de acordo com os relatórios da agência da ONU.
O UNFPA reuniu depoimentos de 230 mulheres em campos de deslocados na Cidade de Gaza e em Khan Younis. Os testemunhos revelam situações extremas vividas pela população feminina no território. Uma entrevistada afirmou que, durante o período de fome, um homem casou a filha de 14 anos em troca de dois sacos de farinha para alimentar os outros filhos. Os relatos também indicam que sobreviventes de estupro sofrem pressão para se casar com os agressores. Uma mulher descreveu que, após casos serem descobertos em escolas, casamentos e comemorações ocorrem no dia seguinte, evidenciando a normalização da violência no contexto do conflito em Gaza. Mulheres ouvidas pelo UNFPA também relataram exploração sexual em troca de serviços e ajuda humanitária.
Uma delas disse conhecer o caso de uma mulher que teria sido obrigada a atender às exigências de um médico para que o filho recebesse uma cirurgia, ilustrando como a escassez de recursos é usada como instrumento de coerção em Gaza. A violência doméstica também piorou com o deslocamento forçado e a convivência em espaços reduzidos, segundo os depoimentos. Mulheres citaram agressões cometidas por maridos, pais, irmãos e parentes por afinidade, além de relatos de restrição de acesso a alimentos e outros recursos essenciais. O quadro em Gaza aponta para uma crise dentro da crise, em que a vulnerabilidade das mulheres se aprofunda à medida que o conflito se prolonga.