Flávio ergue imagem de Nossa Senhora Aparecida após polêmica

Flávio Bolsonaro levanta imagem de Nossa Senhora ao lado de Tarcísio — Foto: Reprodução
Após fake news sobre padroeira do Brasil, Flávio Bolsonaro acusa CNBB e recua; pesquisa Quaest mostra impacto nas intenções de voto
Após a repercussão da fake news envolvendo seu nome e a padroeira do Brasil, Flávio Bolsonaro ergueu um boneco de crochê com a imagem de Nossa Senhora Aparecida durante agenda no centro de São Paulo.
O candidato à Presidência recebeu o boneco das mãos de uma apoiadora enquanto caminhava pelo Brás, sorriu e posou para fotos com o objeto.
Desde a última quinta-feira, Flávio Bolsonaro tenta conter os danos provocados pela disseminação de uma fake news que afirmava que ele articularia a retirada do título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil para agradar ao eleitorado evangélico.
O candidato nega ter qualquer plano nesse sentido, e sua equipe judicializou a questão em diversas frentes na Justiça.
No dia anterior à agenda no Mercado Municipal, Flávio Bolsonaro acusou "gente de dentro" da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) de ter articulado com o PT a disseminação da fake news.
A entidade respondeu com uma nota na qual rechaçou a acusação, afirmando que "não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral".
Um dia após fazer a acusação sem apresentar provas, Flávio Bolsonaro agradeceu a nota da CNBB e recuou em seu posicionamento.
"Todos viram que eu sou uma pessoa que respeita todas as religiões, que não fica opinando sobre como a Igreja Católica deve seguir suas regras", disse o candidato.
Questionado se estava arrependido de ter acusado a entidade, Flávio não respondeu.
O senador classificou a nota como "boa e esclarecedora".
"Porque confirma que essa história da Nossa Senhora Aparecida deixar de ser a padroeira do Brasil era uma grande mentira, a maior fake news desta campanha", afirmou.
Impacto nas pesquisas eleitorais
A polêmica em torno de Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida teve reflexo nas pesquisas de intenção de voto.
Levantamento da Quaest divulgado nesta data aponta que o presidente Lula avançou entre católicos, evangélicos e mulheres após o fim das bets e em meio à repercussão do episódio envolvendo o adversário.
Segundo dados divulgados pelo jornal O Globo, Lula passou de 43% para 48% entre eleitores católicos e de 23% para 27% entre evangélicos, na comparação com a sondagem da semana anterior.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, recuou de 49% para 46% entre evangélicos, mas cresceu numericamente dois pontos entre católicos, indo de 27% para 29%.
O levantamento ouviu 2.004 eleitores presencialmente entre os dias 24 e 27 de setembro, alcançando parcialmente os últimos acontecimentos mais relevantes da campanha, como a decisão de Lula de proibir os sites de apostas e a guerra de narrativas em torno da manutenção do título de padroeira do Brasil à Nossa Senhora Aparecida.
As margens de erro são de 3 e 4 pontos percentuais, para mais ou para menos, respectivamente.