Crise no STF revitaliza direita e preocupa Lula, aponta Financial Times

Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro © Ricardo Stuckert/PT e Vittor Sales/PL
Financial Times aponta que a crise no STF pode ter impacto decisivo na disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro nas eleições brasileiras
Uma reportagem do "Financial Times", publicada neste domingo (13), aponta que a crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF) poderá ter um impacto decisivo na eleição presidencial brasileira do próximo mês.
O jornal britânico descreve o momento como uma "disputa acirrada" entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, que está "lançando uma sombra sobre a disputa" entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
O Agregador de Pesquisa da BBC News Brasil indica que Lula e Flávio Bolsonaro estão empatados no segundo turno.
Segundo o jornal, "embora Lula não tenha sido acusado no caso Banco Master, o episódio atinge um ponto sensível do veterano líder de esquerda, que no passado foi preso por corrupção em condenações posteriormente anuladas".
O "Financial Times" destaca que Flávio Bolsonaro foi citado no caso do Banco Master, tema de inquérito no STF, após revelações em maio de que ele pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme Dark Horse — algo que o senador afirmou não ser ilegal.
Ainda assim, o jornal observa que "Flávio Bolsonaro tem tentado tirar proveito da situação ao renovar as exigências pela destituição de Moraes, que condenou seu pai", e que ele disse a apoiadores na semana passada: "Um voto em Lula é um voto em Moraes".
Apesar das revelações envolvendo seu nome, o candidato do PL conseguiu reduzir a diferença nas pesquisas de opinião. "Apesar dessas revelações, [Flávio] Bolsonaro reduziu nas últimas semanas a diferença nas pesquisas de opinião, chegando a um empate técnico com Lula, que busca um quarto mandato não consecutivo", afirma o jornal.
O "Financial Times" cita analistas ao afirmar que a crise no STF é potencialmente prejudicial a Lula na disputa eleitoral. Um dos analistas menciona que existe uma percepção em parte do eleitorado brasileiro de que Alexandre de Moraes está de alguma forma alinhado ao lado do governo.
O jornal acrescenta que "o episódio manchou a credibilidade de uma instituição aclamada internacionalmente nos últimos anos por defender o Brasil contra uma tentativa de golpe militar de Jair Bolsonaro, após sua derrota eleitoral para Lula em 2022".
Além disso, o jornal britânico ressalta que a crise "revitalizou a direita brasileira, que há muito acusa Moraes de perseguir injustamente conservadores e restringir a liberdade de expressão", e que "o episódio levou o tribunal à beira de um colapso institucional e alimentou apelos por uma reforma do Judiciário".