Fiuk anuncia fim de carreira musical

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Após 22 anos e álbuns que não emplacaram, Fiuk anuncia o fim da carreira musical iniciada em 2004
Fiuk anunciou o encerramento de sua carreira musical, iniciada em 2004 como vocalista da banda teen No Name. A decisão, caso não seja uma estratégia de marketing para gerar visibilidade, é considerada sensata diante de uma trajetória de 22 anos em que Filipe Kartalian Ayrosa Galvão nunca conquistou um espaço realmente relevante na música brasileira. A popularidade de Fiuk ganhou impulso a partir do trabalho como ator em "Malhação", na temporada de 2009 da novela da TV Globo voltada ao público adolescente.
À época, ele atuava paralelamente como cantor, ocupando o posto de líder e vocalista da banda Hori, com a qual estreou no mercado fonográfico em 2007 com o EP "Mentes inquietas". O público feminino, no entanto, parecia mais atraído pela imagem do galã do que pela música em si. A Warner Music, gravadora que contratou a banda Hori em 2009 no embalo do sucesso do ator, logo percebeu que o interesse do público recaía sobre Fiuk individualmente, e não sobre o grupo. A decisão foi investir na carreira solo do cantor.
Em 2011, ano da dissolução da Hori, Fiuk lançou o primeiro álbum solo, "Sou eu", que contou com um dueto com Jorge Ben Jor na faixa "Quero toda noite". Mesmo com a presença do habitualmente arisco Ben Jor, o disco não foi suficiente para consolidar Fiuk como cantor. Faltava verdade. Faltava estofo. Sobrava marketing. A gravadora ainda apostou em um segundo álbum solo, "Vira-lata" (2013), que soou artificial pelo repertório de tom populista e sexista, no qual Fiuk transitou entre pagode, funk, balada pop romântica e rap. O extenso time de convidados — MC Sapão, Manu Gavassi, Rappin" Hood, Thiaguinho e o pai Fábio Jr., modelo que Fiuk tentou seguir, já que Fábio também foi ator e cantor nos anos 1970 e 1980 — não foi suficiente para fazer o disco acontecer.
A Warner Music ainda tentou reverter o cenário com o EP "Fiuk" (2014), reunindo músicas dos dois álbuns anteriores, mas a carreira musical do cantor continuou em declínio, ainda que nunca tivesse de fato decolado. A partir de 2016, Fiuk lançou uma série de singles — "Amor da minha vida" (2021), "Big bang" (2021), "Hater" (2022), "Cenário favorito" (2023), "Desapeguei" (2024), "Celebridade" e o recente "Depressão" (2026) — sem conseguir chamar atenção real pela música. Nos últimos tempos, Fiuk voltou a aparecer com frequência na mídia, mas sempre por questões pessoais, como a briga com o pai e a instabilidade financeira. A caminho dos 36 anos, a serem completados em outubro, o artista ainda tem tempo para se reinventar dentro ou fora da música. Por ora, porém, é difícil lamentar a decisão de encerrar uma carreira musical que, a rigor, sempre foi irrelevante.