União Europeia e Reino Unido têm cerca de 170 mil idosos em situação de rua

© José Cruz/Agência Brasil
Relatório da FEANTSA estima 166 mil idosos em situação de rua na União Europeia, número que cresce e sobrecarrega abrigos emergenciais
Cerca de 170 mil pessoas com mais de 65 anos vivem em situação de rua na União Europeia e no Reino Unido. O alerta foi feito nesta terça-feira (15) por associações que trabalham com populações vulneráveis, destacando que as estruturas de abrigo emergencial têm grande dificuldade em acolher esse público específico.
Um relatório elaborado pela Federação Europeia de Associações que Trabalham com Pessoas Sem-Teto (FEANTSA) e pela Fundação para a Habitação estima em 166.261 o número de idosos "nas ruas, em abrigos de emergência ou acolhidos em centros destinados a pessoas sem-teto". Para chegar a esse número, as organizações utilizaram censos por faixa etária de pessoas em situação de rua nos países que dispõem desse tipo de dado.
A metodologia consistiu em somar o número de idosos em situação de rua em nove países, obtendo uma taxa média de 0,148%. Ao aplicar esse percentual à população idosa total da UE e do Reino Unido, chegou-se à estimativa de 166.261 pessoas nessa condição.
Desigualdades dentro das gerações
Apesar de os idosos serem frequentemente vistos como um grupo etário poupado de dificuldades, "mas dentro de cada geração existem fortes desigualdades", ressaltou Ruth Owen, diretora adjunta da FEANTSA, durante coletiva de imprensa.
Nos países onde há dados disponíveis, a proporção de idosos entre as pessoas em situação de rua varia de forma expressiva: de 1,6% na Irlanda a 8,9% na Alemanha, chegando a 44% na Hungria.
O crescimento da situação de rua entre idosos impõe desafios concretos às estruturas de abrigo emergencial. Segundo o relatório da FEANTSA, essas instalações são "projetadas para acolher um público relativamente autônomo", dentro de "uma lógica de transição". Muitas delas não possuem elevadores ou estão equipadas com beliches, tornando-se inadequadas para pessoas que estão perdendo a autonomia. Além disso, os idosos demandam maiores cuidados, que o setor social não consegue suprir por falta de recursos e competências.
No total, considerando todas as faixas etárias, o relatório da FEANTSA estima em 1,4 milhão o número de pessoas em situação de rua, em abrigos emergenciais ou acolhidas em centros de assistência na Europa — um aumento em relação ao 1,3 milhão registrado em 2024.
As associações alertam que os sistemas estão sob pressão crescente, com "filas de espera que disparam, pessoas transferidas de um abrigo para outro sem solução definitiva e estadias que se prolongam por falta de alternativas". Esse cenário leva os agentes a "selecionar o público" e a "endurecer" as condições de acesso, uma política que, segundo as ONGs, tem "efeitos letais".
Diante desse quadro, a FEANTSA e as demais organizações pedem que cada Estado adote e implemente "estratégias nacionais" de combate à situação de rua, descritas como "atualizadas e ambiciosas", de modo a enfrentar o problema de forma estrutural e duradoura.