Fachin diz que STF vai apurar crise em caso Master com "firmeza"

Foto: STF/Reprodução
Presidente do STF afirma que indícios de desvio de conduta "reclamam encaminhamento institucional" e anunciará providências em dias
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, quebrou o silêncio nesta quarta-feira (2) sobre as revelações da Polícia Federal (PF) a respeito da relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Em nota oficial, Fachin afirmou que os indícios de desvio de conduta "reclamam o devido encaminhamento institucional" e que o cargo na Corte "não confere privilégios". Fachin anunciou que, nos próximos dias, após concluir a análise dos fatos revelados na investigação, divulgará as medidas cabíveis e necessárias.
Na véspera, o ministro André Mendonça, relator do caso Master, havia pedido que o plenário do STF decidisse sobre o inquérito da PF.
"Os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional. Circunstâncias relacionadas, de um lado, à atuação processual e, de outro, a sérios elementos de fatos que exigem desta Presidência serenidade, responsabilidade e firmeza. A elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades, que devem ser observados com absoluto respeito à Constituição, às leis e ao Supremo Tribunal Federal", declarou Fachin.
De acordo com a investigação da Polícia Federal, tornada pública pelo ministro André Mendonça, Moraes teria editado o contrato de R$ 131 milhões do escritório Barci de Moraes com o Banco Master. O escritório tem como sócia-diretora Viviane Barci, esposa do ministro.
Em nota, a banca confirmou que o magistrado foi consultado, na condição de marido da sócia, sobre eventuais impedimentos legais para a contratação.
"Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados", afirmou o escritório em nota.
As mensagens apreendidas pela PF revelam que o empresário tratava como prioridade o pagamento ao escritório Barci de Moraes. Em uma das conversas, o ex-deputado Fábio Faria diz a Vorcaro que "o careca não pode atrasar".
A mensagem foi enviada no mesmo contexto em que o banqueiro transferiu R$ 3,42 milhões ao escritório. O pagamento integrava um contrato que previa R$ 3 milhões líquidos por mês durante 36 meses, totalizando R$ 108 milhões líquidos ao longo do período.
A investigação também aponta uma relação próxima entre Moraes e Vorcaro, com pelo menos seis encontros registrados entre 2024 e 2025, incluindo eventos na Europa e em Campos do Jordão.
O Banco Master também teria emitido cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos do casal. Além disso, Moraes teria sido consultado por Vorcaro dois dias antes de sua prisão, em novembro do ano passado.
Segundo a PF, o empresário teria montado uma rede de monitoramento e influência em diversas instituições da República, o que lhe permitia obter informações sigilosas.
Na decisão em que derrubou o sigilo do inquérito, o ministro André Mendonça ressaltou que essas informações poderiam nortear orientações estratégicas nas negociações econômicas envolvendo o Master e, "até mesmo, na elaboração de sofisticado plano de fuga em caso de insucesso na empreitada delituosa, ou de descoberta de suas atividades pelas autoridades com competência investigativa".
O caso coloca o STF diante de um momento delicado, com Fachin sinalizando que a presidência da Corte não deixará os indícios sem resposta institucional.