Estudante indiciado por estupro ia a shopping de BH em busca de adolescentes

Montagem mostra Manoel Antonio Januario Filho, estudante de medicina indiciado por estupro em Belo Horizonte — Foto: Reprodução
Inquérito da Polícia Civil reúne relatos de violência sexual e registro não autorizado de conteúdo íntimo; aluno da FCMMG foi suspenso e afastado por decisão judicial
A Polícia Civil indiciou o estudante de medicina Manoel Antonio Januario Filho, de 23 anos, pelos crimes de estupro e registro não autorizado de conteúdo sexual. Natural do Espírito Santo, ele havia se mudado para Belo Horizonte para cursar medicina. O inquérito reuniu relatos de mulheres que afirmam ter sido submetidas a situações de violência sexual, além de apontar a existência de material íntimo compartilhado em um grupo de WhatsApp formado por estudantes de medicina. A defesa optou por não se manifestar.
Manoel Antonio Januario Filho nasceu em Ibatiba (ES) e ingressou na Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG), instituição privada, em 2023, com previsão de conclusão do curso em 2029. O estudante utilizava o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), programa federal de apoio financeiro para cursos em instituições particulares.
Durante o período na faculdade, Manoel Antonio Januario Filho participou de atividades acadêmicas e de extensão. Entre elas, consta o relato de experiência intitulado "Sala de espera: uma ação de promoção à saúde realizada por acadêmicos de Medicina em um ambulatório universitário", publicado em material acadêmico da instituição. Em 2024, ele também tentou integrar o projeto "OncoEducação – Conscientização sobre câncer em escolas públicas", mas foi desclassificado do processo seletivo, sem que a instituição informasse o motivo.
Suspenso da faculdade após denúncias
Segundo a FCMMG, Manoel Antonio Januario Filho foi imediatamente suspenso das atividades acadêmicas após as denúncias serem registradas na polícia. Em seguida, por determinação judicial, a instituição efetivou o afastamento cautelar do aluno, medida que segue em vigor. A faculdade informou ainda que continuará colaborando com as autoridades competentes.
A defesa de Manoel Antonio Januario Filho declarou que, em respeito ao sigilo legal e às pessoas envolvidas, não irá comentar o conteúdo da investigação neste momento.
De acordo com o inquérito, colegas do estudante relataram situações de violência sexual. Segundo a apuração, ele teria mantido relações sexuais sem consentimento, além de se recusar a usar preservativo ou interromper os atos quando solicitado. A investigação também indica que encontros íntimos teriam sido fotografados e gravados sem autorização, e parte desse material teria sido compartilhada em um grupo de WhatsApp formado por estudantes de medicina.
Ao longo da investigação, foram analisados depoimentos e laudos periciais. Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos apontaram indícios de autoria e materialidade dos crimes atribuídos a Manoel Antonio Januario Filho.