Eduardo Bolsonaro é demitido da PF pelo Ministério da Justiça

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Eduardo Bolsonaro foi demitido da Polícia Federal por abandono de cargo e condenado pelo STF a mais de 4 anos de prisão
O Ministério da Justiça e Segurança Pública demitiu o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) do cargo de escrivão da Polícia Federal por abandono de função. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União na segunda-feira (21/9), após ter sido tomada na sexta-feira anterior (18/9). O motivo oficial foi o "cometimento da infração disciplinar de abandono de cargo", por ter faltado ao serviço "injustificadamente por período superior a trinta dias consecutivos".
A portaria foi assinada pelo ministro Wellington César Lima e Silva. Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025 e havia apresentado uma licença parlamentar de 120 dias, que venceu em julho do ano passado. O ex-parlamentar alega que se mudou para os EUA em razão de uma suposta perseguição política do Supremo Tribunal Federal (STF). Em julho deste ano, ele obteve o "green card", documento que permite a estrangeiros trabalhar, estudar e morar no país sem restrições. A demissão da PF não foi o único revés recente de Eduardo Bolsonaro.
Em 18 de dezembro de 2025, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados cassou o mandato dele por excesso de faltas, com base em norma da Constituição Federal que proíbe deputados federais e senadores de faltarem a mais de ⅓ das sessões deliberativas do ano.
Na mesma sexta-feira (18/9) em que foi demitido da Polícia Federal, a Primeira Turma do STF manteve, por unanimidade, a condenação de Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de prisão, em regime semiaberto, por coação à Justiça. O colegiado responsabilizou o ex-deputado pelas sanções econômicas impostas pelo governo Donald Trump ao Brasil em 2025. Eduardo Bolsonaro foi condenado por articular represálias como o tarifaço sobre importações brasileiras e o enquadramento do ministro Alexandre de Moraes na Lei Magnitsky, com o objetivo de tentar interromper o julgamento do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por golpe de Estado.
O ex-deputado foi julgado à revelia por não ter respondido às tentativas de intimação do STF. Ele chegou a ser notificado por edital, mas perdeu o prazo para se manifestar. Diante disso, o ministro Moraes intimou a Defensoria Pública da União (DPU) a defendê-lo. Embora o órgão tenha argumentado que Eduardo deveria ser notificado por meio de carta rogatória, Moraes sustentou que seu paradeiro é desconhecido.