Na ONU, Delcy Rodríguez anuncia eleições na Venezuela e agradece Trump

Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez - Foto: Eduardo Munoz
Presidente interina da Venezuela discursou na Assembleia Geral da ONU e agradeceu a Trump pela retomada diplomática
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou nesta quarta-feira, durante discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que haverá eleições no país. A declaração foi feita sem que ela mencionasse qualquer prazo, e veio acompanhada de agradecimentos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pela disposição em retomar relações diplomáticas com Caracas.
"Quero deixar muito claro nesta Assembleia Geral: haverá eleições na Venezuela", disse Delcy Rodríguez diante dos representantes das nações.
A presidente venezuelana também agradeceu a Trump por sua "disposição em retomar o caminho das relações diplomáticas e de cooperação com a Venezuela", nove meses após a captura do presidente Nicolás Maduro em uma operação militar americana em Caracas.
Parlamento apoia presença na ONU
O Parlamento da Venezuela aprovou, nesta quarta-feira, um acordo de respaldo à participação de Delcy Rodríguez na Assembleia Geral da ONU, em meio a questionamentos internos sobre sua aproximação política com os Estados Unidos.
A resolução foi aprovada por maioria qualificada na Assembleia Nacional, cujo texto afirma que "a participação estratégica" da presidente interina na ONU "constitui um veículo indispensável para fortalecer as relações internacionais da Venezuela".
Na sessão parlamentar, um pequeno grupo de deputados da oposição defendeu que o debate deveria se concentrar na solução urgente dos problemas internos do país.
A deputada de oposição Amelia Belisario foi direta ao criticar a pauta: "O bem-estar social não se decreta em Nova York. O bem-estar social se constrói aqui, com transparência e com institucionalidade", declarou.
O chefe do Parlamento, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina, rebateu as críticas e destacou que o governo escolheu "o caminho da diplomacia, que já está dando frutos reais, verdadeiros".
Em paralelo, centenas de partidários do governo marcharam em Caracas em apoio a Delcy Rodríguez.
Além do encontro com Trump, Delcy Rodríguez se reuniu com representantes de organismos multilaterais e, nesta quarta-feira, teve encontros com a primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, e com o primeiro-ministro dos Países Baixos, Rob Jetten.
Reestruturação da dívida como tema central
A reestruturação da dívida venezuelana foi apontada como um dos temas "chave" da reunião entre Delcy Rodríguez e Donald Trump, segundo declarou o secretário de Estado americano, Marco Rubio.
"Ainda há muito a arrumar para que a Venezuela tenha sucesso. Falamos sobre os passos que faltam para que isso aconteça. A reestruturação da dívida é chave para ele", disse Rubio a jornalistas.
"Queremos ser úteis nesse sentido. Tem que ser feita da maneira correta", acrescentou o secretário de Estado.
O nível da dívida soberana da Venezuela é objeto de debate, uma vez que o país rompeu relações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em 2019 e só as retomou recentemente, tornando os dados macroeconômicos aceitos por instituições internacionais ainda provisórios.
Segundo a organização Transparência Venezuela, a dívida girava em torno de US$ 164 bilhões no fim de 2024.
O encontro entre os dois líderes foi o primeiro desde que Delcy Rodríguez assumiu o poder, em janeiro, após a captura de Nicolás Maduro por forças americanas.
Trump a convidou para uma conversa à parte durante uma recepção oficial a líderes participantes da Assembleia Geral da ONU, em um hotel em Nova York.
Rubio descreveu o encontro como "uma reunião curta, mas importante", centrada na recuperação econômica e nos passos para concretizar a transição política.
Rodríguez, por sua vez, a qualificou como "histórica" em uma mensagem no Telegram, na qual publicou uma foto do momento.