Coaf contradiz Flávio Bolsonaro e aponta pagamento extra de Vorcaro a filme

Foto: Senado Federal
Revista piauí obteve relatório do Coaf que aponta repasse adicional de US$ 1,6 mi ao fundo ligado ao filme "Dark Horse", além do admitido por Flávio Bolsonaro
O banqueiro Daniel Vorcaro realizou ao menos um pagamento adicional para financiar o filme "Dark Horse" além do que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) havia admitido publicamente.
Em maio, quando o portal Intercept Brasil revelou o envolvimento do dono do Banco Master no financiamento da produção, Flávio Bolsonaro afirmou em entrevista à GloboNews que a última parcela paga pelo banqueiro havia ocorrido naquele mesmo mês.
A revista piauí obteve um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que contradiz essa versão. O documento aponta que, em setembro daquele ano, Vorcaro realizou mais um repasse de US$ 1,6 milhão ao fundo Havengate, responsável por administrar os recursos antes de repassá-los à produção de "Dark Horse".
De acordo com a piauí, esse pagamento ocorreu oito dias após Flávio Bolsonaro pressionar Daniel Vorcaro por novos repasses destinados ao filme.
"Agora que é a reta final que a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo", disse Flávio Bolsonaro em uma mensagem de áudio enviada ao banqueiro.
O senador, o banqueiro e a produtora do filme foram procurados, mas não responderam.
Além do relatório do Coaf, a reportagem da piauí teve acesso a mensagens que indicam a possibilidade de mais uma parcela ter sido paga em outubro de 2025.
Nos diálogos, o publicitário Thiago Miranda, que participou da captação de recursos para a produção, pergunta a Vorcaro: "Consegue liberar as parcelas do filme?". O banqueiro responde: "Sim. Liberei mais uma hoje".
A troca de mensagens, no entanto, não especifica o valor do repasse. Miranda, então, acrescenta: "Vou avisá-los. Flávio disse que iria te ligar".
O caso reacende as questões em torno do financiamento de "Dark Horse" e da relação entre Flávio Bolsonaro e o dono do Banco Master, especialmente diante das inconsistências entre o que foi declarado publicamente pelo senador e o que os documentos obtidos pela revista piauí indicam.