Copasa aponta frio e construções irregulares como causas dos rompimentos na RMBH

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A Copasa enumera fatores como frio, topografia e construções irregulares para explicar os cinco rompimentos registrados em três semanas na Grande BH
Diante de uma sequência de rompimentos de tubulações e vazamentos registrados em cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) nas últimas três semanas, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) afirma que os episódios têm causas técnicas independentes e isoladas. A empresa enumera uma série de fatores que podem provocar danos às tubulações, entre eles as características topográficas da região, variações de pressão, temperaturas mais baixas, movimentação do solo e construções irregulares sobre a rede. Segundo a Copasa, a queda nas temperaturas pode acelerar a retração térmica dos materiais das tubulações, tornando-os mais rígidos e suscetíveis a trincas. Em dias frios, a redução no consumo de água também pode elevar a pressão interna da rede, pressionando pontos de menor resistência. Outro fator apontado pela empresa é a própria topografia da RMBH.
A Copasa opera cerca de 20 milhões de metros de redes na região, com trechos que apresentam diferenças de altitude de até 400 metros. Essa variação exige bombeamento para levar água às áreas mais elevadas e controle de pressão nas regiões mais baixas. A movimentação do solo também é citada como um elemento que pode comprometer as tubulações. No caso mais recente, ocorrido na terça-feira (8/9) às margens da BR-040, em Contagem, a avaliação preliminar da Copasa aponta justamente essa possibilidade como causa do rompimento. A existência de construções irregulares sobre a rede aparece como mais um fator de risco. No rompimento de uma adutora no bairro Nova Granada, na região Oeste de Belo Horizonte, em agosto, a companhia afirma que uma casa havia sido construída sobre a tubulação, o que tornou a intervenção para o reparo mais complexa.
A Copasa afirma realizar, em média, cerca de 130 intervenções diárias relacionadas a vazamentos de pequeno e grande porte em sua rede. Segundo a companhia, a ocorrência de vazamentos faz parte da rotina de sistemas de distribuição de água de grande porte, e os indicadores atuais, considerando a extensão da rede, permanecem dentro dos patamares históricos esperados. Em Minas Gerais, a Copasa opera mais de 65 milhões de metros de redes subterrâneas, o equivalente a cerca de 1,6 volta ao redor da Terra. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte são aproximadamente 20 milhões de metros, incluindo trechos com mais de 60 anos de uso. A empresa afirma ainda que mantém equipes próprias e contratadas mobilizadas, inclusive em regime de plantão de 24 horas, para atuar em ocorrências críticas.
A explicação da Copasa ocorre após uma sequência de problemas no sistema de abastecimento de Belo Horizonte e da Região Metropolitana. Os cinco episódios registrados nas últimas semanas afetaram dezenas de bairros e milhares de imóveis: - O episódio mais recente foi registrado na terça-feira (8/9), às margens da BR-040, em Contagem. O vazamento ocorreu na altura da Ceasa, atingiu veículos que passavam pelo trecho e interrompeu o abastecimento de 13 bairros. Segundo a Copasa, 2.632 imóveis foram afetados, com previsão de conclusão do reparo ainda naquela terça-feira. - Na segunda-feira (7/9), uma adutora se rompeu no bairro Milionários, na região do Barreiro.
O problema abriu uma cratera na rua Caetano Pirri, espalhou água pela via, invadiu imóveis e afetou moradores de mais de 60 bairros. Segundo a Copasa, o vazamento ocorreu após uma forte variação de pressão. - No domingo (6/9), outra tubulação se rompeu na rua Afonso Pena Júnior, próximo à Praça Guimarães Rosa, no bairro Cidade Nova, na região Nordeste de Belo Horizonte. A água tomou a via e atingiu um imóvel onde funciona um salão de beleza. - No dia 1º de setembro, uma tubulação se rompeu dentro da Estação de Tratamento de Água da Copasa, no Barreiro. A força da água derrubou um muro da unidade e provocou alagamentos em vias próximas à rua Joaquim de Figueiredo. - O problema mais antigo da sequência ocorreu em 19 de agosto, quando uma adutora se rompeu na rua Xapuri, no bairro Nova Granada. O vazamento inundou uma residência, provocou o desabamento parcial de uma parede e levou à interdição do imóvel. Moradores de 43 bairros da região Oeste tiveram o abastecimento afetado, e o reparo da adutora foi concluído somente no sábado (5/9). A Copasa sustenta que os cinco episódios possuem causas independentes e não estão relacionados entre si.