Conab prevê safra recorde de café em 2026

© Arquivio/Marcelo Camargo/Agência Brasil
A Conab estima produção de 67,61 milhões de sacas de café em 2026, alta de 19,6% sobre 2025 e maior resultado da série histórica da estatal
A produção brasileira de café em 2026, ano de bienalidade positiva, está estimada em 67,61 milhões de sacas de 60 kg de café beneficiado, representando alta de 19,6% em relação à safra de 2025, que registrou 56,54 milhões de sacas. O resultado, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no 3º levantamento da cultura, configura o maior da série histórica da estatal e é impulsionado pelo aumento da área em produção e pela melhora da produtividade média nacional. O movimento é comum em ano de bienalidade positiva, sobretudo para o arábica. A área em produção deve crescer 5,1%, estimada em 1,95 milhão de hectares, ante 1,86 milhão de hectares em 2025. A área total ocupada com café no Brasil também avançou 4,4% no período, passando de 2,26 milhões de hectares para 2,35 milhões de hectares. A produtividade média nacional deve avançar 13,8%, saindo de 30,4 sacas por hectare em 2025 para 34,6 sacas por hectare em 2026. "Além da influência das condições fisiológicas da planta, o melhor desempenho verificado nas lavouras também se deve ao crescente uso de tecnologias de manejo pelos cafeicultores e à combinação de condições climáticas mais favoráveis", informou a Conab em comunicado.
No arábica, espécie que representa cerca de 70% da produção total, a estimativa aponta colheita de 48,21 milhões de sacas em 2026, elevação de 34,8% em relação a 2025, quando foram registradas 35,76 milhões de sacas. Em Minas Gerais, maior produtor da variedade, a safra está estimada em 34,96 milhões de sacas, sendo 15,93 milhões de sacas provenientes do sul e centro-oeste do Estado. Segundo a Conab, o ciclo de bienalidade positiva, a melhor distribuição das chuvas nos meses que antecederam a florada e o clima favorável até março, que proporcionou boa granação, contribuíram para esse desempenho. Em São Paulo, a Conab estimou produção de 6,19 milhões de sacas de arábica. Chuvas regulares e bem distribuídas após períodos secos, temperaturas amenas e um regime térmico alinhado à bienalidade positiva foram os fatores que impulsionaram a produtividade no interior paulista, de acordo com a estatal.
No conilon (robusta), a produção estimada para 2026 é de 19,93 milhões de sacas, queda de 6,6% ante as 20,77 milhões de sacas registradas em 2025. Apesar do aumento de 4% na área em produção da variedade, estimada em 386,6 mil hectares, o recuo reflete menor produtividade nacional, com impacto principalmente do desempenho no Espírito Santo. O Espírito Santo, principal produtor de conilon do país, deve registrar queda de 5,4% na produção total de café. A Conab aponta que a florada irregular do conilon, causada por baixas temperaturas, deve levar a uma redução de 14,3% na produção da variedade, para 12,1 milhões de sacas. Em contrapartida, a produção de arábica no Estado deve crescer 33%, atingindo 4,38 milhões de sacas, sustentada por boas condições climáticas, expansão de 4,9% da área em produção e bienalidade positiva. Na Bahia, a Conab apontou alta de 1,2% na produção total, impulsionada pela regularidade das condições climáticas, maior investimento em insumos e entrada de novas áreas em produção. Do total estimado, 1,19 milhão de sacas são de arábica e 3,3 milhões de sacas, de conilon.
Em Rondônia, com plantio exclusivo de conilon, o ciclo está praticamente encerrado. Com 98% das áreas colhidas até o fim de agosto, a estimativa é de safra de 2,88 milhões de sacas, alta de 24% ante 2025. "Os efeitos climáticos benéficos, especialmente no quesito chuvas, vivenciados no decorrer do desenvolvimento da cultura permitiram que os grãos apresentassem, em âmbito geral, boa qualidade e rendimento. Esse bom resultado não se deve somente às condições climáticas favoráveis, mas também ao bom pacote tecnológico adotado por parcela significativa dos cafeicultores", concluiu a Conab. Com estimativa de 67,61 milhões de sacas, a safra de 2026 se consolida como a maior já registrada pela Conab, impulsionada pela combinação de bienalidade positiva, expansão de área cultivada e adoção crescente de tecnologias por parte dos produtores brasileiros.