Claudia Matarazzo: "O que será o pós quiet luxury?''

Claudia Matarazzo: "O que será o pós quiet luxury?''
Depois da discrição e do minimalismo, a moda pode abrir espaço novamente para a personalidade, a autenticidade e a liberdade de escolha
Por algum tempo, o mundo da moda pareceu cansado de mostrar logotipos, inventar pseudotendências extravagantes e ostentar acessórios imensos e inúteis. O chamado quiet luxury surgiu justamente como uma resposta ao excesso: menos ostentação, mais qualidade, discrição e peças que não precisam anunciar quanto custaram.
Finalmente, a discrição voltou a ser vista como qualidade, e muito bem-vinda. Até dizem por aí que virou tendência… Tomara. Mas existe um mal-entendido quando começam a rotular conceitos assim. Talvez seja hora de falar sobre o que virá depois do quiet luxury…
Ora, quando todo mundo começa a vestir bege, usar peças minimalistas e procurar aquele ar de “parece simples, mas é caro”, a própria ideia de exclusividade começa a desaparecer. Ainda que muito discreta, a tendência também pode virar uniforme.
E talvez essa seja a hora de pensar fora dessa caixa: menos preocupação em parecer sofisticado e mais liberdade para cultivar o próprio estilo.
A verdadeira elegância não precisa seguir uma estética específica. Pode estar em uma camisa branca impecável, mas também em uma peça colorida, em uma joia herdada, uma roupa vintage ou em algo absolutamente inesperado.
Durante algum tempo, confundimos discrição com ausência de personalidade. Mas parecer igual a todo mundo não é necessariamente elegante…
O luxo mais interessante e desafiador está justamente naquilo que não pode ser facilmente comprado: autoconhecimento, repertório, autenticidade, capacidade de escolher…
Quem conhece o próprio estilo não precisa vestir uma tendência para provar que entende de moda. Muito menos exibir marcas para demonstrar sucesso. Nem se preocupar em esconder para parecer sofisticado.
A questão não é mais “quanto custa?” ou “qual é a grife?”. E sim: isso tem a ver comigo?
O pós-quiet luxury é o retorno da personalidade.
Depois de temporadas inteiras celebrando o silêncio visual, podemos voltar a permitir que a roupa conte alguma coisa sobre quem somos. Lembrando que passar uma mensagem visual sempre foi uma de suas funções originais.
E isso não significa voltar à ostentação, apenas abandonar a obrigação de parecer discretamente rico, discretamente jovem, discretamente moderno ou discretamente perfeito.
Afinal, existe uma diferença entre não precisar mostrar e não ter nada para dizer.
E, principalmente, ter personalidade suficiente para não precisar que uma tendência nos diga quem devemos ser.