Mãe de crianças desaparecidas passa mal após acessar autos da investigação

Os irmãos Ágatha Isabelly (6 anos) e Allan Michael (4 anos) estão desaparecidos desde janeiro de 2026 na zona rural de Bacabal, no Maranhão
Mãe das crianças desaparecidas em Bacabal passa mal ao acessar processo 46 dias após pedido à Polícia Civil
A mãe das crianças desaparecidas em Bacabal, no Maranhão, Clarice Cardoso, passou mal após ter acesso aos autos do processo de buscas por seus filhos, Ágatha Isabelly, de seis anos, e Allan Michael, de quatro anos.
O acesso ao processo foi obtido pela advogada de Clarice Cardoso, Dra. Nathaly Moraes, 46 dias após ter feito o pedido formal à Polícia Civil.
As crianças desapareceram no dia 4 de janeiro deste ano e, até o momento, nenhum vestígio físico dos dois foi encontrado. Eles sumiram junto com o primo, Anderson Kauã, de oito anos, que foi localizado três dias depois do desaparecimento e está bem com sua família.
A advogada de Clarice Cardoso revelou as dificuldades enfrentadas para ter acesso ao processo e criticou a demora da Polícia Civil.
"Eu bati bastante sobre não ter acesso aos autos, o que dificultava bastante o trabalho da defesa. Depois das entrevistas de ontem, depois de toda a pressão da mídia. Eles acabaram de liberar o acesso aos autos para que eu possa ver o que foi feito, como foi feito e qual o caminho para ser seguido daqui pra frente", disse a advogada.
Além disso, a Dra. Nathaly Moraes rebateu um pronunciamento da Polícia Civil sobre o caso.
"Reforço também que houve algumas falas infelizes, por sinal, do representante da Polícia Civil, dizendo que a Polícia Federal não havia entrado em contato com a gente, que a Interpol não havia entrado em contato com a gente, quando, na verdade, entrou em contato sim."
A advogada também detalhou o estado do processo e a situação do material genético de Clarice Cardoso.
"Nós temos as evidências, a Interpol entrou em contato, os nomes das crianças não estavam na divisão amarela e nem na azul, como foi colocado anteriormente. O material genético (de Clarice) não havia sido compartilhado, agora é que foi feito de fato o procedimento comigo e com Clarice e nós não teríamos avançado tanto se não fosse o apoio de vocês. Então nesse momento hoje às 10:56 da manhã eu estou tendo acesso aos autos da investigação. E a Clarice tá aqui do meu lado e é quem tá passando de forma muito dolorosa por tudo que tá acontecendo."
Sobre o acesso ao processo, a advogada usou uma metáfora para descrever a situação.
"Agora estamos sabendo o que está dentro do processo. É o que eu falei: o processo era uma casa de porta fechada, resolveram abrir a porta da casa. Agora, a gente entra e vê o que tava errado."
A crise de saúde de Clarice Cardoso
Poucos momentos após começar a analisar os autos do processo, Clarice Cardoso passou mal e precisou ser levada a uma Unidade de Pronto Atendimento.
A advogada descreveu o momento: "Não deu tempo de fazer a análise toda porque nós começamos a fazer a análise e ela já começou a passar mal. E eu falei: não Clarice, nós vamos levar você pro hospital. Porque eu tenho medo dela infartar dentro de casa, ela tá comigo, tá na minha casa. E ela dizendo: dra. tô tonta, tô tonta, e vomitou. E eu falei: não dá, vamos dar uma parada aqui agora e vamos no hospital. Porque eu fico com medo dela infartar dentro de casa, ela está em um estado emocional extremamente abalado."
Ao analisar o que já havia conseguido verificar nos autos, a Dra. Nathaly Moraes apontou falhas no andamento das investigações.
"Eu acho que a gente perdeu o timing de muita coisa, acho que perdemos o timing com a Polícia Federal, perdeu tempo. No sentido de que nós procuramos agora, mas era um procedimento que já devia ter sido feito há muito tempo. Porque já tem oito meses do desaparecimento."
A advogada ainda levantou questionamentos sobre as diligências realizadas.
"Então, essas crianças, se saíram do Brasil, já faz oito meses que cruzaram as nossas fronteiras. Que câmeras de segurança têm guardado por todo esse período essas imagens? Ainda não consegui concluir a leitura do inquérito completo. Mas quantas diligências deixaram de ser executadas dentro de um prazo hábil? Um prazo que levaria a um resultado diferente do que temos hoje."
Após se recuperar e retornar para casa, Clarice Cardoso fez duras críticas às autoridades responsáveis pelas investigações.
"A gente não pode confiar nas autoridades responsáveis, a gente não pode ter mais essa confiança. Eu sempre confiei que eles estavam investigando. Se não fosse a Dra. entrar e me ajudar, eu nunca iria saber como está essa investigação, porque realmente foi feito o exame (de DNA de Clarice). Mas cadê? Porque foi preciso eu ir na Polícia Federal para fazer de novo o exame? A gente corre atrás, ela consegue tudo. E aí vem o delegado e solta uma nota, sem sequer conversar comigo", declarou.
O ponto central do conflito entre Clarice Cardoso, sua advogada e as autoridades gira em torno das declarações do delegado-geral da Polícia Civil do Maranhão, Augusto Barros.
Dias antes, ele havia afirmado que o teste de DNA de Clarice já havia sido realizado: "A própria perícia que hoje é um órgão autônomo esteve no local e fez a coleta. Então já havia material genético coletado que foi levado ao banco nacional", disse ele.
No entanto, o que Clarice Cardoso e sua advogada argumentam é que, apesar de o material ter sido coletado, a Polícia Federal e a Interpol não tinham acesso a ele.
Segundo elas, somente após a nova coleta realizada na semana passada é que as autoridades federais e internacionais passaram a ter acesso ao material genético de Clarice Cardoso, o que representa uma perda significativa de tempo nas investigações.