Cisjordânia: colonos ignoram sanções europeias

Novo assentamento israelense perto da cidade de Beita, na Cisjordânia ocupada por Israel - Foto: Ammar Awad
Produtores israelenses no Vale do Jordão afirmam que encontrarão novos mercados após restrições comerciais impostas por 12 países
Uma proibição de importar, comprar e vender produtos oriundos das colônias israelenses entrou em vigor na Holanda na última terça-feira (22). A medida foi adotada duas semanas após 12 países, incluindo a França, anunciarem restrições ao comércio com esses assentamentos, considerados ilegais pelo direito internacional. No Vale do Jordão, uma das principais regiões agrícolas das colônias na Cisjordânia, produtores israelenses afirmam que não estão preocupados e que encontrarão novos mercados. Cuckie, como é conhecido, chegou ao Vale do Jordão em meados dos anos 1980. Foi ali que ele construiu sua fazenda, sua família e seu "império": 20 mil hectares de terras, milhares de tamareiras e, durante a alta temporada, cerca de 600 palestinos empregados. "Sem mim, eles não têm nada!", afirma o produtor. Sua produção está localizada na Cisjordânia, em uma colônia israelense considerada ilegal pelo direito internacional. "Onde passar o arado, ali estará nossa fronteira. Era isso que dizia nosso fundador, Ben-Gurion. Acredito realmente que presto um serviço muito importante ao meu país", declara.
Como a maioria dos colonos instalados na região, Cuckie se recusa a reconhecer a existência de um Estado palestino e condena a decisão dos países europeus de impor sanções. O produtor destinava 80% de suas tâmaras à exportação para a Europa. "Seremos afetados, tenho certeza. Mas aceitarei isso de bom grado, enquanto meu país existir. Não tenho que pedir desculpas a um país europeu para explicar por que estou aqui", afirma. A poucos quilômetros dali, David Elhayani, que dirige o conselho regional do Vale do Jordão, garante que essas decisões não mudarão nada na região. "A colheita das tâmaras começa daqui a duas semanas. Não temos nada para enviar e, portanto, nada a perder! Já encontramos novos mercados. A maioria está na Índia, nos Estados Unidos. Há lugares suficientes para vender todas as nossas tâmaras", comemora. Segundo ele, a economia local vai bem, e a prova disso é que 10 novas colônias estão em construção nas proximidades. As decisões dos 12 países, entre eles França e Reino Unido, de restringir o comércio com as colônias israelenses foram anunciadas em um contexto de aumento da violência praticada por colonos e de expansão dos assentamentos nos últimos meses na Cisjordânia ocupada. Segundo especialistas, esses acontecimentos comprometem as perspectivas de uma solução de dois Estados para o conflito na região.