Moradores do Buritis, em BH, pagam por água e caem em golpe durante crise

Caminhão-pipa realizando o abastecimento de água - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Moradores do Buritis, em BH, pagaram por água que nunca chegou enquanto crise de abastecimento da Copasa se arrasta por 11 dias
Síndicos do bairro Buritis, na Região Oeste de Belo Horizonte, denunciaram nesta terça-feira (1º) que falsas empresas de caminhões-pipa aplicaram golpes em moradores durante a crise de abastecimento que afeta a área há mais de uma semana.
A síndica profissional Camila de Oliveira Gonçalves, que administra condomínios no Buritis, afirma que alguns edifícios estão há 11 dias sem abastecimento completo da Copasa.
Diante da dificuldade para encontrar caminhões-pipa, moradores e síndicos passaram a recorrer a contatos divulgados em grupos de mensagens, o que abriu espaço para ações criminosas.
Em um dos condomínios sob sua administração, moradores contrataram um suposto prestador de serviço, pagaram R$ 1,2 mil antecipadamente e nunca receberam a água prometida.
O caso foi registrado em boletim de ocorrência, e as vítimas acionaram o banco na tentativa de contestar a transferência realizada.
"Os moradores estão desesperados e alguns começam a entrar em contato com todos os telefones que conseguem", relatou Camila.
Segundo ela, outros condomínios do bairro também registraram tentativas de golpe ou efetuaram pagamentos sem receber o serviço contratado.
Além dos golpes, a síndica aponta que a contratação de caminhões-pipa se tornou ainda mais difícil em razão da alta procura.
Empresas do setor têm enfrentado problemas para conseguir água suficiente para abastecer os próprios veículos e atender à demanda crescente no Buritis e nas regiões vizinhas.
A origem do problema
A crise de abastecimento na Região Oeste de Belo Horizonte teve início em 19 de agosto, quando uma adutora de grande porte rompeu na rua Xapuri, no bairro Nova Granada.
Como a tubulação passava sob um imóvel, a Copasa isolou temporariamente o trecho danificado e alterou a configuração hidráulica da rede como medida provisória.
A manobra permitiu manter o fluxo de água, mas resultou em perda de vazão e oscilações de pressão nas cotas mais altas do Buritis, Estoril e Nova Suíça, agravando o desabastecimento nessas localidades.
Para solucionar o problema de forma definitiva, a Copasa iniciou nesta segunda-feira (31) uma obra emergencial com o objetivo de implantar um novo traçado para a adutora, desviando do imóvel e recompondo a capacidade total do sistema na Região Oeste.
Os trabalhos devem ser concluídos até o fim da próxima semana.
Enquanto as obras avançam, a empresa informou que mantém uma operação de suporte emergencial com o apoio de mais de 20 caminhões-pipa.
"A prioridade absoluta do atendimento gratuito é direcionada a serviços essenciais e instituições de atendimento coletivo, como hospitais, unidades de saúde, creches, escolas e asilos", destacou a companhia.
A situação no Buritis segue preocupante, com moradores vulneráveis a golpes enquanto aguardam a normalização do abastecimento prevista para os próximos dias.