Lula planeja "pacote de bondades" de R$ 271 bilhões na economia em ano eleitoral

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - © Frame Canal GOV
Governo Lula prevê injetar R$ 271 bilhões na economia em 2026, com reajuste do Bolsa Família e subsídios, mas especialistas alertam para riscos fiscais em 2027
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prevê injetar aproximadamente R$ 271 bilhões na economia ao longo de 2026, ano em que o chefe do Executivo buscará a reeleição ao Palácio do Planalto.
O chamado "pacote de bondades" engloba a criação de linhas de crédito, aportes adicionais em programas já existentes e a concessão de subsídios, segundo informações apuradas pelo CNN Money.
De acordo com o governo federal, parte dessas ações possui neutralidade fiscal, o que significa que não haverá aumento nem perda nas receitas da União. Um dos exemplos citados é a nova faixa de isenção do Imposto de Renda, cujo impacto será compensado pela criação de uma taxação mínima sobre os super-ricos.
Um dos estímulos mais recentes foi a atualização dos valores do Bolsa Família. Somente neste ano, o reajuste do benefício gerará um gasto extra de R$ 5,8 bilhões aos cofres públicos.
Para cobrir esse valor, a equipe econômica garante que realizará um remanejamento de verbas orçamentárias, afetando majoritariamente a área da previdência.
Como o reajuste do Bolsa Família não constava no Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 encaminhado ao Congresso Nacional, o governo federal precisará fazer alterações no texto para acomodar a nova despesa.
Desde março, a gestão federal também tem adotado medidas para conter a alta dos preços dos combustíveis provocada pelo conflito no Oriente Médio. O conjunto inicial de iniciativas, abrangendo o que foi implementado até abril, tinha um impacto calculado em R$ 31 bilhões.
Com o prolongamento do conflito envolvendo o Irã, o governo estendeu algumas ações e anunciou novas alternativas. A equipe econômica argumenta que os incentivos serão compensados pelo crescimento da arrecadação da União, proveniente de royalties e demais rendimentos ligados ao setor de petróleo.
Especialistas alertam para riscos fiscais
Analistas ouvidos pelo CNN Money já avaliam que será necessário realizar um ajuste nas contas públicas para 2027.
O saldo positivo de R$ 18 bilhões projetado para as contas públicas do próximo ano é visto com ressalvas pelo especialista em Contas Públicas, Murilo Viana.
"O governo espera uma grande arrecadação em 2027 com a CBS, mas isso está longe de ser claro se será realidade. O novo tributo é completamente novo, os agentes econômicos se movimentam, além de ainda não ser claro como vai ser a compensação de créditos de PIS/COFINS com a CBS. O cenário de arrecadação em 2027 ainda é extremamente volátil", esclarece Viana.
O documento de monitoramento divulgado na última quinta-feira (17) pela IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado aponta o risco de não cumprimento da meta fiscal estabelecida para o próximo ano.
O órgão projeta um déficit primário real de R$ 86,1 bilhões em 2027. Levando em conta os abatimentos legais de despesas na verificação da meta, a entidade calcula um saldo positivo primário de apenas R$ 900 milhões no próximo ano, valor insuficiente para alcançar o patamar mínimo estipulado.
Por conta disso, a IFI aponta que será indispensável efetuar um bloqueio de gastos discricionários na ordem de R$ 35,7 bilhões para garantir que as regras fiscais sejam rigorosamente cumpridas em 2027.
O cenário reforça as preocupações de analistas sobre a sustentabilidade fiscal das medidas anunciadas pelo governo Lula no período pré-eleitoral.