Governo se reúne com clubes na terça para discutir impactos do fim das bets

Prédio do Ministério da Fazenda em Brasília • Adriano Machado
Ministérios do Esporte e da Fazenda reúnem clubes das séries A e B para discutir impactos de eventual proibição das bets no futebol brasileiro
O governo federal agendou uma reunião nesta terça-feira (29) com representantes dos clubes de futebol das séries A e B do Campeonato Brasileiro para discutir o futuro das bets diante de uma eventual proibição por meio de Medida Provisória (MP). O encontro foi organizado pelos ministérios do Esporte e da Fazenda e marca mais um capítulo das negociações entre o setor esportivo e o poder público sobre o tema.
Segundo o governo, o diálogo com os dirigentes dos clubes teve início há quase dois meses. A proposta em discussão prevê duas frentes de atuação: a criação de uma linha de crédito específica para cobrir os passivos financeiros dos clubes e outra voltada para crédito futuro, visando minimizar os impactos de uma eventual restrição às casas de apostas. A MP em questão pode provocar a perda de patrocínios relevantes para os clubes brasileiros, já que diversas empresas de bets operam no país e mantêm contratos com times das principais divisões do futebol nacional.
Fontes próximas ao Palácio do Planalto indicam que o governo está disposto a ouvir as demandas dos dirigentes, mas ressaltam a necessidade de que os times se organizem internamente antes de apresentar suas reivindicações. Membros do governo têm minimizado os possíveis impactos nos patrocínios dos principais clubes do país. O argumento é de que muitas equipes atravessam um momento financeiro confortável e que empresas de outros segmentos já estariam buscando os clubes para substituir os contratos firmados com as casas de apostas.
O anúncio do cerco às empresas de bets gerou forte repercussão no futebol brasileiro. Na semana passada, os clubes lançaram um manifesto contra a proibição das casas de apostas em território nacional. No documento, os clubes defendem que "o torcedor não pode pagar essa conta" e alertam que, ao "acabar com o mercado regulado, as apostas não acabam. O futebol é quem acaba". O manifesto foi endossado por grandes clubes, como Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Santos, Palmeiras, São Paulo, Corinthians, Cruzeiro e Atlético-MG. As críticas à MP continuaram após a confirmação da medida, e entidades e empresas ligadas ao setor de apostas prometem recorrer ao Judiciário para contestar a decisão.