Responsável por patrocinadora do Cruzeiro se posiciona sobre proibição de bets

Luis Sinisterra, atacante do Cruzeiro • Celo Gil/Cruzeiro
Grupo Flutter, responsável pela Betnacional, patrocinadora do Cruzeiro, lamenta decisão do governo e aponta riscos econômicos e esportivos
O grupo Flutter, responsável pela Betnacional, patrocinadora máster do Cruzeiro, se manifestou após o governo federal anunciar, na noite desta sexta-feira (25), a proibição da operação de bets no Brasil. Em nota, a empresa lamentou a decisão e apontou riscos que a medida pode trazer para a economia e para o esporte brasileiro. A Flutter, que também é responsável pela Betfair, afirmou ter recebido com surpresa a proibição das bets no país. A empresa defendeu a continuidade do mercado de apostas com regularização e fiscalização, além da proteção aos apostadores.
O grupo também alertou para o risco de aumento das apostas ilegais caso a proibição total seja mantida. "A demanda por apostas não deixa de existir com a retirada dos operadores autorizados. Uma proibição tende a deslocar consumidores para plataformas ilegais, onde não estão assegurados mecanismos como identificação de usuários, limites de depósito, monitoramento de transações, autoexclusão e prevenção à lavagem de dinheiro. A experiência internacional da Flutter em mercados regulados reforça que manter essa demanda no ambiente autorizado é uma das formas mais eficazes de combater a ilegalidade e proteger o consumidor", argumenta a empresa.
Além dos riscos ligados à ilegalidade, o grupo Flutter destacou os possíveis prejuízos bilionários para a economia, com impactos que podem durar até 2030. Segundo a empresa, um estudo da LCA Consultores, com base em dados do Instituto Locomotiva, aponta que uma proibição total poderá colocar em risco entre R$ 58 bilhões e R$ 73 bilhões em arrecadação entre 2027 e 2030. "As consequências econômicas também serão amplas. Estudo da LCA Consultores, com base também em dados do Instituto Locomotiva, estima que uma proibição total poderá colocar em risco R$ 58 bilhões a R$ 73 bilhões em arrecadação entre 2027 e 2030. O setor sustenta cerca de 15 mil empregos diretos e indiretos, enquanto 15 empresas de apostas entre os maiores anunciantes investiram aproximadamente R$ 3 bilhões em mídia em 2025", defende a Flutter. O impacto no esporte também foi destacado pela empresa.
Em 2025, 18 dos 20 clubes da Série A tinham bets como patrocinadoras máster, com mais de R$ 1,1 bilhão por temporada nesses contratos. Além disso, R$ 1,6 bilhão em recursos das apostas de quota fixa foi destinado ao esporte brasileiro, incluindo o esporte olímpico e paralímpico. A Betnacional, por exemplo, ocupa justamente o posto de patrocinadora máster do Cruzeiro. Ao concluir seu posicionamento, a Flutter reforçou a defesa pela continuidade das apostas em um ambiente regulado, com fiscalização e recolhimento de impostos, e se colocou à disposição para dialogar com as autoridades brasileiras.
Até o momento, a empresa não informou nenhuma medida concreta a ser tomada em relação à proibição. "Diante desse cenário, a Flutter Brazil defende a manutenção do mercado regulado e acredita que proteger a sociedade passa por fortalecer a fiscalização, o jogo responsável e o combate à ilegalidade. Como parte da Flutter Entertainment, grupo global listado na Bolsa de Nova York e com atuação em mercados regulados ao redor do mundo, a companhia seguirá colocando sua experiência e seus padrões globais de governança, integridade, compliance, gestão de riscos e jogo responsável à disposição do diálogo com as autoridades brasileiras", finalizou a Flutter. A reportagem de O TEMPO Sports também solicitou um posicionamento do Cruzeiro sobre a proibição das bets. Caso haja retorno, a matéria será atualizada.