Escritório da esposa de Moraes confirma consulta ao ministro sobre o Master

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Escritório da esposa de Alexandre de Moraes confirma consulta ao ministro antes de fechar contrato de R$ 131 mi com o Banco Master
O escritório de advocacia Barci de Moraes, cujo quadro societário inclui Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou ter consultado o magistrado antes de firmar um contrato com o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro.
A revelação ganhou novo contorno nesta terça-feira (1º), quando a quebra de sigilo de uma investigação da Polícia Federal (PF) expôs a relação entre Moraes e o banqueiro. As apurações indicam que o ministro fez edições no contrato de R$ 131 milhões celebrado entre o escritório e o Banco Master.
Em nota, a banca explicou que o setor de compliance solicitou informações ao magistrado, na condição de marido da sócia diretora, sobre eventuais impedimentos legais para a contratação dos serviços, incluindo a existência de ações no STF envolvendo o banco.
"Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o Ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados", disse a nota.
O escritório já havia admitido anteriormente ter mantido um contrato com o Banco Master entre 2024 e novembro de 2025, mês em que a instituição de Daniel Vorcaro foi liquidada pelo Banco Central e o empresário chegou a ser preso pela PF.
Com o avanço das investigações, no entanto, os indícios apontam para uma relação mais estreita entre o banqueiro e o ministro do que se sabia até então.
Segundo a PF, Vorcaro teria estruturado uma rede de monitoramento e influência em diversas instituições da República, o que lhe permitia obter informações sigilosas.
Na decisão que derrubou o sigilo do inquérito, o ministro André Mendonça, do STF, destacou que essas informações poderiam orientar estratégias nas negociações econômicas envolvendo o Banco Master e, "até mesmo, na elaboração de sofisticado plano de fuga em caso de insucesso na empreitada delituosa, ou de descoberta de suas atividades pelas autoridades com competência investigativa".
O escritório Barci de Moraes reiterou, em sua nota, que o procedimento adotado segue o padrão aplicado em outros casos semelhantes e que, diante da ausência de qualquer impedimento legal identificado, o contrato foi regularmente assinado e os serviços prestados conforme acordado.