Augusto Cury volta a cair após crescimento repentino nas pesquisas

Foto: Reprodução/Avante
Augusto Cury cresceu nas pesquisas impulsionado pelas redes e debates, mas perdeu força com o início do HGPE e a reconfiguração da campanha
Augusto Cury (Avante) protagonizou o que analistas chamam de "voo de galinha" nas pesquisas eleitorais: cresceu rapidamente ao romper a bolha da campanha, impulsionado pelas redes sociais, pelos debates e pela novidade de sua candidatura, mas perdeu força logo depois. A coincidência temporal com o início do horário gratuito de propaganda eleitoral (HGPE) é evidente, porém é necessário cautela para não transformar correlação em causalidade. O início do HGPE alterou o ambiente da disputa. Candidatos com maior estrutura partidária passaram a ocupar diariamente o espaço da propaganda eleitoral, apresentando propostas, construindo narrativas e explorando alianças.
A atenção do eleitor, antes mais concentrada nas redes sociais e na novidade de algumas candidaturas, passou a ser disputada em um cenário muito mais amplo. É possível que o HGPE tenha contribuído para reduzir o espaço relativo de Augusto Cury, mas essa é uma hipótese, não uma conclusão que as pesquisas, sozinhas, permitem sustentar. No mesmo período, outros movimentos ocorreram: a redução do efeito novidade, a maior exposição dos candidatos tradicionais, as alianças estaduais, a atuação das estruturas partidárias e a movimentação dos eleitores que haviam experimentado uma candidatura alternativa. Essa distinção é fundamental. Correlação significa que dois fenômenos variam no mesmo período; causalidade significa demonstrar que um deles produziu, em alguma medida, a mudança observada no outro. No caso de Augusto Cury, há evidência de uma associação temporal entre o início do HGPE e a perda de força nas pesquisas.
Para medir o efeito causal do HGPE, seria necessário separar esse efeito dos demais acontecimentos que também mudaram durante a campanha. A campanha é um processo dinâmico. O eleitor recebe novas informações, compara candidatos e pode rever suas preferências. Uma pesquisa registra esse movimento em determinado momento, mas não consegue, sozinha, dizer qual estímulo foi responsável por cada mudança. A volatilidade eleitoral no Brasil é alta, e esse tipo de trajetória não é novidade. Movimentos semelhantes já foram registrados em diversas eleições municipais, inclusive em disputas para prefeito. Nos cinco volumes sobre eleições municipais organizados com Antonio Lavareda, há vários casos de candidaturas que oscilaram significativamente ao longo da campanha, à medida que exposição, estratégia, alianças e estrutura partidária redesenhavam o cenário. Por isso, o caso de Augusto Cury pode ser interpretado menos como uma anomalia e mais como uma expressão da própria dinâmica eleitoral. Ele conseguiu transformar a novidade de sua candidatura em visibilidade e intenção de voto.
Depois, quando o ambiente da campanha mudou, perdeu parte desse impulso. A relação temporal com o HGPE é um dado relevante, mas dizer quanto dessa queda foi efetivamente causado pelo HGPE exige uma análise que vá além da simples comparação entre o "antes" e o "depois". O caso de Augusto Cury mostra que uma eleição não é decidida pela fotografia da largada: o candidato conseguiu crescer rapidamente ao capturar a atenção do eleitorado, mas encontrou um ambiente diferente quando a campanha ganhou corpo. E o eleitor, ao receber novas informações e conhecer melhor as alternativas em disputa, também pode rever suas escolhas ao longo do caminho. O HGPE pode ter contribuído para essa mudança, mas não explica sozinho a perda de força de Augusto Cury. Mais do que um "voo de galinha", o episódio expõe algo mais relevante: em uma eleição competitiva, visibilidade não é o mesmo que voto consolidado, e o que parece uma tendência pode ser apenas uma etapa da disputa.