Homem é morto por pegar carne da marmita de colega em Patos de Minas

Imagens de Sirene policia
Trabalhador havia se mudado há um mês para fazenda de café em Patos de Minas e foi morto após pegar carne da marmita de colega
Adelson Pereira de Araújo, de 37 anos, havia se mudado para Patos de Minas há cerca de um mês em busca de uma vida melhor. O trabalhador aceitou um emprego em uma fazenda de café na cidade vizinha à sua residência em Patrocínio, no Alto Paranaíba, porque o salário oferecido era maior e ajudaria a complementar a renda da família. No entanto, na noite do último domingo (6), Adelson Pereira de Araújo foi morto a facadas por um colega de alojamento, de 29 anos, após pegar um pedaço de carne da marmita do suspeito. Segundo o registro policial, durante a discussão, o suspeito atacou Adelson Pereira de Araújo com diversas facadas.
O trabalhador chegou a ser socorrido e levado ao Pronto-Socorro do Hospital Regional Antônio Dias, mas não resistiu aos ferimentos. O suspeito foi contido por outros trabalhadores do alojamento até a chegada da Polícia Militar (PM). Ao ser questionado sobre a motivação do ataque enquanto era levado à delegacia, o homem respondeu aos policiais apenas que "não aceita desaforo".
Casado há 12 anos e pai de três filhos, Adelson Pereira de Araújo deixou a família em Patrocínio para trabalhar na fazenda de café em Patos de Minas. A decisão foi motivada pela perspectiva de um salário melhor, que contribuiria para as despesas da casa. Para a filha Júlia Monise, o motivo da discussão torna a perda do pai ainda mais difícil de aceitar. A jovem não acredita que o pai tenha provocado ou desrespeitado o colega de alojamento. "Era um homem muito família, alegre e brincalhão, não tinha malícia com ninguém e não via maldade em absolutamente nada. Ele e minha mãe ensinaram para mim e para os meus irmãos que a base de tudo é o respeito. Essa atitude que estão dizendo que ele teve contradiz completamente isso", disse a jovem.
A última conversa entre Júlia Monise e o pai aconteceu há poucos dias, no fim de agosto. Por telefone, Adelson Pereira de Araújo havia se comprometido a visitá-la no dia 11 para pagar o vestido de noiva da filha, que ele mesmo havia ajudado a escolher. "É o vestido que ele me ajudou a escolher. Ele era e sempre será um ótimo pai, marido, tio e amigo. Uma pessoa que, em um dos piores momentos da minha vida, esteve comigo e com a minha mãe para ajudar. As lembranças boas ficam, mas restam perguntas para as quais não tivemos respostas", relembrou a jovem.
De acordo com o boletim de ocorrência, uma equipe da PM foi acionada até um alojamento onde vivem 14 trabalhadores de uma mesma fazenda. No momento do crime, apenas nove deles estavam no imóvel. Quando os militares chegaram ao local, alguns trabalhadores já continham o suspeito, enquanto outros haviam levado Adelson Pereira de Araújo ao hospital. Segundo o relato de uma testemunha à polícia, a vítima e o suspeito passaram o dia consumindo bebida alcoólica juntos, algo que já havia ocorrido em outras ocasiões. No horário do jantar, Adelson Pereira de Araújo teria pegado um pedaço de carne da marmita do colega e, em seguida, feito uma brincadeira com ele. Foi então que o suspeito se armou com uma faca e desferiu diversos golpes contra a vítima.
O relatório médico citado no boletim de ocorrência apontou que Adelson Pereira de Araújo apresentava lesões no tórax e no abdômen. Durante a ocorrência, foi apreendida uma faca do tipo punhal, com aproximadamente 15 centímetros de lâmina, que teria sido usada no crime. A perícia da Polícia Civil realizou os trabalhos no local. O caso evidencia como uma discussão trivial resultou na morte de um trabalhador que havia deixado sua família em busca de melhores condições de vida. Adelson Pereira de Araújo deixa esposa e três filhos, entre eles Júlia Monise, que aguardava a visita do pai para acertar os detalhes do casamento.