Vorcaro depõe à PF nesta quinta e pode voltar a negociar delação

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Dono do Banco Master prestará depoimento por videoconferência após adiamento da semana passada; PF investiga vantagens indevidas a servidores do Bacen
O depoimento do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, à Polícia Federal (PF) está marcado para esta quinta-feira (27/8), às 10h, após ter sido adiado na semana anterior.
Preso há dois meses no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), conhecido como Papudinha, o banqueiro prestará seu depoimento por videoconferência. A informação foi antecipada pelo portal "Metrópoles" e confirmada pelo O TEMPO Brasília.
A PF ouvirá Vorcaro sobre possíveis vantagens indevidas concedidas ao ex-diretor de Fiscalização e ao ex-chefe-adjunto de Supervisão Bancária do Banco Central (Bacen). Entre os benefícios investigados, estaria o custeio de um guia turístico para um desses servidores durante uma visita à Disney.
O interrogatório estava inicialmente previsto para a última quinta-feira (20/8), mas foi adiado a pedido da defesa. O advogado Daniel Bialski, recém-contratado por Vorcaro, justificou que ainda não havia tido acesso à íntegra dos autos dos inquéritos em tramitação.
"Apesar de ele querer falar, eu não tive acesso a tudo", alegou o criminalista.
Bialski aguarda o acesso completo aos inquéritos para definir a nova estratégia de defesa. Em entrevista à "GloboNews" há 15 dias, o advogado sinalizou a possibilidade de uma nova tentativa de acordo de colaboração premiada, afirmando que Vorcaro "quer falar e quer colaborar".
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça já atendeu a um pedido de Bialski e ampliou o horário de visitas diárias dos advogados à Papudinha, que passou de uma hora para quatro horas diárias — o mesmo regime autorizado ao ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.
Caso Bialski opte pela colaboração premiada, será a terceira tentativa de Vorcaro de celebrar um acordo de delação. As duas primeiras foram conduzidas pelos advogados José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, e Sérgio Leonardo, mas nem a PF nem a Procuradoria-Geral da República (PGR) aceitaram os termos propostos.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, foi direto ao comentar o assunto em um café com jornalistas no mês passado.
"No caso concreto — o que já é público e posso falar —, não há interesse técnico. Não há elementos jurídicos que autorizem que esta proposta seja validada, porque muitas das coisas já são do nosso conhecimento", apontou.
A hipótese de um acordo de ressarcimento aos cofres públicos como contrapartida para benefícios judiciais também é recebida com ceticismo por pessoas familiarizadas com os inquéritos.
Interlocutores reconhecem a possibilidade de ocultação de patrimônio por parte de Vorcaro, mas questionam se o volume seria suficiente para embasar um acordo.
Bialski foi contratado por Vorcaro nos últimos dias. Antes disso, o sócio-fundador do Master chegou a negociar com os criminalistas Cezar e Vania Bitencourt, que chegaram a visitá-lo algumas vezes na Papudinha, mas não chegaram a fechar contrato.
O casal é conhecido por ter conduzido a delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).