Pai de manicure pede Justiça em velório

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Pai da manicure morta pelo marido em Contagem pede justiça no velório e tio faz apelo por leis mais rígidas contra feminicídio
No velório da manicure Silvani Paullino, realizado nesta quarta-feira (19), o pai dela, Valdir Oliveira de Amorim, pediu por justiça e expressou sua dor diante da perda da filha. Silvani foi morta a tiros no salão de beleza onde trabalhava, em um espaço adaptado dentro de sua própria casa, em Contagem, na Grande BH, na segunda-feira (17). O principal suspeito do crime é o marido dela, Alisson Miranda Pedrosa, preso em Conselheiro Lafaiete, na Região Central de Minas, na terça-feira (18). Valdir descreveu o crime como uma tragédia inaceitável. "É uma tragédia muito absurda, muito inaceitável.
Aliás, tragédia nenhuma é aceitável, mas essa é uma das piores", afirmou. Ele confirmou que Silvani Paullino e o marido estavam juntos há 17 anos e que ela desejava encerrar o relacionamento. "Ultimamente ela queria [separar] porque durante todo esse tempo ele não era nem o pai que as crianças gostariam de ter e nem o marido que uma esposa gostaria de ter", disse Valdir. Segundo o tio de Silvani Paullino, Raimundo Pedro, ela deixa três filhos menores de idade. Uma das filhas da manicure, de 17 anos, presenciou o assassinato da mãe.
O pai da vítima relatou a dificuldade de lidar com os sentimentos que surgiram após a tragédia. "Infelizmente, é difícil a gente falar porque numa situação dessa o coração está quebrado e com ódio. Infelizmente, uma hora dessa a gente passa a conhecer o que é o ódio. Às vezes, a gente nunca sentiu na vida da gente, mas numa hora dessa, infelizmente, a gente começa a sentir ódio. Então, eu peço a Deus que retire isso do meu coração", afirmou. O tio Raimundo Pedro também lamentou profundamente o ocorrido, descrevendo o impacto da notícia sobre a família. "É difícil até falar porque, quando recebi a notícia lá no Espírito Santo desse assassinato, o mundo acabou para mim. Porque é uma menina que é muito especial para gente. Ela é uma menina que sempre foi guerreira. Mãe, uma mãe guerreira, uma mulher guerreira. Uma mulher que todas as vezes que [a gente] chegava diante dela, ela estava sorrindo e pronta para receber a gente", disse, emocionado.
Raimundo Pedro aproveitou o momento para fazer um apelo às autoridades brasileiras em relação à legislação de proteção às mulheres. "Gostaria de fazer um apelo aqui, já que vocês estão gravando, para os nossos deputados, senadores, governadores, presidente da república, para que mudem essas leis, porque nossas leis estão muito frágeis. Hoje as mulheres estão morrendo uma atrás da outra. A lei Maria da Penha está aí, mas eles não estão respeitando. Então teria que ter uma pena mais rígida para que o nosso país pudesse ter condições de defender as nossas esposas, defender as nossas filhas". Na mesma noite em que Silvani Paullino foi morta, outro feminicídio ocorreu em Contagem. Thaís Gonçalves Píncer, de 26 anos, foi assassinada a facadas em via pública no bairro Jardim dos Bandeirantes. O principal suspeito de matá-la é o ex-companheiro dela, de 31 anos, que fugiu após cometer o crime. Os dois casos ocorridos na mesma noite reforçam o alerta sobre a violência contra a mulher na região.