Justiça mantém prisão de acusados pela morte de jovem em salto de rope jump
Juiz de Limeira mantém prisões preventivas dos acusados pela morte de jovem em salto de rope jump e marca audiência para setembro de 2026
A Justiça de São Paulo manteve as prisões preventivas dos acusados pela morte de uma jovem de 21 anos durante um salto de rope jump em Limeira, no interior do estado. A decisão, assinada em 12 de agosto pelo juiz Guilherme Lopes Alves Lamas, da 2ª Vara Criminal de Limeira, também ratificou o recebimento da denúncia oferecida pelo Ministério Público e determinou o prosseguimento da ação penal.
A audiência de instrução foi marcada para 17 de setembro de 2026, quando serão produzidas provas para esclarecer as circunstâncias da morte e as responsabilidades atribuídas aos acusados. O processo tramita como ação penal de competência do Tribunal do Júri, por homicídio qualificado.
Ao analisar os pedidos de revogação das prisões, o magistrado decidiu pela manutenção da custódia. Segundo a decisão, permanecem presentes os riscos que justificam a prisão preventiva, especialmente diante da "necessidade de garantir a instrução criminal e a aplicação da lei penal".
Entre os elementos considerados pelo juiz estão comportamentos atribuídos aos envolvidos após os fatos, como o apagamento de registros digitais das redes sociais sobre as atividades, a fuga em direção à mata mesmo após serem orientados a permanecer no local e a troca de roupas antes da abordagem policial.
A decisão também menciona a continuidade da atividade de risco e a divulgação de novos eventos pelo grupo. Na avaliação do magistrado, medidas cautelares diferentes da prisão seriam insuficientes neste momento.
A decisão aponta que, caso os acusados retomassem as atividades, não haveria garantia de que uma medida como a prevista no artigo 319 do Código de Processo Penal seria suficiente para "impedir a continuidade da prática".
A decisão também registra manifestações apresentadas em pedidos de habeas corpus. Em parecer citado pelo juiz, a Procuradoria de Justiça considerou relevante, para a análise da custódia, a gravidade concreta dos fatos atribuídos à acusada e a suposta eliminação do registro audiovisual do salto de rope jump, apontada como circunstância capaz de representar risco à instrução criminal.
Denúncia ratificada e defesas analisadas
O juiz também analisou as respostas apresentadas pelas defesas e concluiu que a denúncia descreve os fatos de forma clara e atende aos requisitos previstos no artigo 41 do Código de Processo Penal, permitindo que os acusados compreendam as imputações e exerçam o direito de defesa.
As defesas apresentaram alegações relacionadas, entre outros pontos, à tipificação penal e à responsabilidade de cada envolvido. Para o magistrado, porém, essas questões dependem de dilação probatória e não poderiam ser resolvidas de forma definitiva nesta fase.
O juiz ainda analisou a possibilidade de absolvição sumária, prevista no artigo 397 do Código de Processo Penal. A medida é cabível em hipóteses específicas, como quando há causa manifesta que exclua a ilicitude do fato ou a culpabilidade do agente, quando o fato narrado evidentemente não constitui crime ou quando está extinta a punibilidade.
Como nenhuma dessas hipóteses foi identificada, o magistrado ratificou o recebimento da denúncia e determinou o prosseguimento da ação penal.
Audiência de instrução e possível julgamento pelo Júri
Com a continuidade do processo, a próxima etapa processual será a audiência de instrução, marcada para setembro de 2026. É nessa fase que serão produzidas as provas necessárias para o esclarecimento dos fatos.
As defesas poderão apresentar os elementos que considerarem pertinentes, enquanto o processo avançará na apuração das circunstâncias do salto de rope jump e da atuação individual de cada acusado.
A decisão ressalta que as alegações apresentadas pelas partes sobre a responsabilidade dos envolvidos ainda exigem produção de provas, razão pela qual o magistrado considerou prematuro fazer uma análise definitiva sobre o mérito da acusação neste momento.
Como a denúncia trata de homicídio qualificado, o processo tramita sob a competência do Tribunal do Júri. A realização da audiência de instrução, contudo, não significa que os acusados já serão submetidos ao julgamento pelos jurados.
Após a primeira fase do procedimento, caberá ao juiz analisar as provas produzidas e decidir se existem elementos suficientes para a pronúncia dos acusados. Se forem pronunciados, o caso poderá seguir para julgamento pelo Tribunal do Júri.
Também são possíveis, nas hipóteses previstas em lei, decisões de impronúncia, absolvição sumária ou desclassificação. Portanto, ainda não há decisão sobre a responsabilidade criminal dos acusados.
Além da manutenção das prisões e do prosseguimento da ação penal, o juiz determinou novas diligências para obtenção de informações financeiras relacionadas à atividade de rope jump.
Foram expedidos ofícios para fornecer informações sobre a conta vinculada a uma chave Pix e para informar a titularidade e apresentar os extratos das máquinas de cartão utilizadas no evento. As instituições têm prazo de dez dias para responder às solicitações judiciais.
Relembre o caso
A jovem morreu em 13 de junho, durante um evento pago de rope jump realizado na Ponte do Esqueleto, em Limeira.
Segundo a denúncia do Ministério Público, ela participava da modalidade conhecida como "aviãozinho" quando foi lançada da estrutura sem que a corda de segurança estivesse conectada ao peitoral. A queda foi de aproximadamente 30 metros e provocou politraumatismo.
O Ministério Público denunciou três homens por homicídio qualificado com dolo eventual, com as qualificadoras de motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
A organizadora do evento foi denunciada por homicídio na modalidade de omissão imprópria e também por fraude processual.
Segundo a Promotoria, os responsáveis pela execução do salto de rope jump tinham conhecimento dos riscos da atividade, mas não adotaram medidas básicas de segurança, como a conferência da conexão da corda e a dupla checagem dos equipamentos.
A organizadora, ainda conforme a acusação, tinha o dever de garantir padrões mínimos de segurança e interromper a atividade diante de condições inadequadas.
A decisão de 12 de agosto não representa uma condenação. O processo seguirá para a fase de instrução, com audiência marcada para setembro de 2026, enquanto as prisões preventivas permanecem em vigor e novas provas serão produzidas antes de uma eventual decisão sobre a submissão dos acusados ao Tribunal do Júri.



