Patrus Ananias critica incentivos fiscais em MG

Patrus Ananias (Foto: Lula Marques/PT na Câmara)
Candidato do PT ao governo de Minas defende revisão dos benefícios tributários e acusa gestão atual de servir ao setor privado
O candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo de Minas Gerais, deputado federal Patrus Ananias, defendeu uma revisão na política de incentivos fiscais do estado durante sabatina realizada nesta terça-feira (18) pela Rádio Itatiaia. O petista afirmou que a atual gestão do Palácio Tiradentes esteve a serviço do setor privado em detrimento da população mineira. Ao ser questionado sobre a falta de transparência em relação às empresas que recebem benefícios tributários em Minas Gerais, Patrus Ananias garantiu que tornará pública essa lista caso eleito, mas ponderou que não é contrário a parcerias com a iniciativa privada em determinadas situações. "Na verdade, os últimos governantes de Minas Gerais, estiveram a serviço única e exclusivamente do setor privado. Eles não governaram para o povo de Minas Gerais, pensando na vida das pessoas, das famílias, nessas políticas públicas mencionadas (incentivos). Foi um desgoverno total para o estado. A quem interessa isso? Por trás estão alguns setores privados ganhando seus lucros", declarou. Ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-ministro nos governos Lula e Dilma, Patrus Ananias defendeu que o setor privado deve estar alinhado ao bem comum e ao interesse público.
Para o candidato, as empresas devem cumprir suas obrigações fiscais corretamente, enquanto os recursos públicos precisam ser direcionados às políticas públicas. "Então, essas regalias não me agradam. Mas pode ter algumas circunstâncias, algumas empresas que estejam promovendo bem comum, que estejam inovando, trazendo novas tecnologias, ampliando as possibilidades de trabalho e emprego que a gente possa discutir sobre isso", declarou, reafirmando que as contas públicas serão abertas para a população. Um dos pontos em que Patrus Ananias admite a parceria com o setor privado é na reestruturação da malha viária do estado.
O candidato revelou que, no início de sua carreira, era contrário à concessão de estradas, mas que mudou de posição ao longo de suas viagens por Minas Gerais. "Confesso que era radicalmente contra", disse. "Eu tenho essa visão de que o Estado Democrático de Direito tem que ter o seu papel. Mas depois que fui vendo as estradas funcionando direitinho, com o setor privado melhorando as condições, eu atenuei a minha posição para abrir o diálogo. Eu vejo essa questão da privatização das estradas como um espaço de diálogo e construção", afirmou.
Ainda sobre o tema viário, o candidato ressaltou a necessidade de revisar a cobrança de pedágios, especialmente para motoristas que passam pelo mesmo pórtico mais de uma vez ao dia, defendendo que esse grupo deveria pagar apenas uma única cobrança. "A situação das estradas em Minas é péssima, sobretudo as estradas estaduais, expondo a vida das pessoas. É muito grave, e nós temos que enfrentar esse desafio", declarou. Sobre a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), Patrus Ananias reiterou que foi "rigorosamente" contra o processo, mas reconheceu que reverter a venda da empresa não seria tarefa simples.
Para ele, o papel do estado agora é dialogar com os novos controladores para garantir o interesse público. "Nós vamos examinar a situação dela. Eu penso que voltar ao estado, talvez, não seja um caminho tão fácil. Mas vamos sentar com as pessoas que adquiriram a Copasa e conversar respeitosamente, de maneira transparente, afirmando o interesse público e o real trabalho que a empresa deve prestar", disse. Por fim, Patrus Ananias descartou qualquer possibilidade de privatização ou federalização da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), reforçando a importância de manter a empresa como estatal. "Nós vamos discutir bem a dívida do Estado, mas a Cemig não pode ser uma empresa federal. Ela é uma empresa de Minas Gerais, um patrimônio, uma conquista do povo mineiro", completou.