Nunes Marques defende regras eleitorais após crítica dos EUA

ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF)
Ministro do TSE reuniu mais de 100 embaixadores para defender normas eleitorais após críticas dos EUA sobre suposta "censura" ao X
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, defendeu as regras adotadas pela Corte para proteger a integridade das eleições de 2026.
A declaração ocorreu durante reunião com mais de 100 embaixadores estrangeiros, em Brasília, na segunda-feira (17), em meio à repercussão das críticas feitas pela subsecretária de Estado para Diplomacia Pública dos Estados Unidos, Sarah B. Rogersde, que acusou o Brasil de impor "censura" após o X (antigo Twitter) alterar seu algoritmo para cumprir as normas da justiça eleitoral brasileira.
A autoridade americana criticou, no domingo (16), a criação de um filtro específico para as eleições brasileiras que impede que publicações de candidatos sejam recomendadas automaticamente a usuários que não seguem os respectivos perfis. As postagens, no entanto, não foram excluídas e permanecem disponíveis nas páginas das candidaturas.
Em sua fala aos representantes diplomáticos, Nunes Marques destacou a resolução que regulamenta a propaganda eleitoral. A norma determina que as plataformas digitais apresentassem voluntariamente ao tribunal planos de conformidade para as eleições, detalhando medidas destinadas a prevenir e mitigar riscos à integridade do processo eleitoral.
O ministro reforçou ainda que as medidas foram implementadas por meio de diálogos e encontros com representantes de cada uma das redes sociais, com o objetivo de abrir espaço para receber sugestões e aperfeiçoar a regulamentação.
Foco no combate à desinformação
Nunes Marques lembrou que, nos finais de semana do primeiro e do segundo turno, as plataformas digitais concordaram em enviar representantes para acompanhar, em uma sala de situação, a disseminação de publicações que visem interferir na opinião do eleitor.
Outra iniciativa voltada ao combate à desinformação, especialmente na manipulação do uso de Inteligência Artificial (IA), foi a criação de uma comissão permanente destinada a sistematizar iniciativas relacionadas à IA no âmbito da justiça eleitoral, a partir da integração entre o TSE e os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).
Segundo encontro com embaixadores
O encontro desta segunda-feira foi o segundo entre Nunes Marques e cerca de 86 embaixadores para tratar do sistema eletrônico de votação e das medidas adotadas pela Justiça Eleitoral.
Todos os países que mantêm representação diplomática no Brasil foram convidados, incluindo um integrante do corpo diplomático dos Estados Unidos.
Em 16 de junho, o ministro havia se reunido com 25 representantes diplomáticos para apresentar informações sobre o funcionamento das urnas eletrônicas e os mecanismos de segurança utilizados nas eleições.
Nunes Marques deixou claro que o TSE exerce funções jurisdicionais, administrativas, consultivas e normativas sobre o processo eleitoral.
Segundo o ministro, o aperfeiçoamento contínuo das normas e dos mecanismos tecnológicos ocorre de forma conjunta para assegurar a integridade das eleições e fortalecer a democracia.
A reunião reforça o esforço do TSE em apresentar transparência sobre suas normas eleitorais à comunidade internacional, em um momento de tensão diplomática gerado pelas críticas dos Estados Unidos às regras impostas às plataformas digitais no Brasil.