Controladora da Betnacional e Betfair é alvo de operação da Receita e MPF

Imagem ilustrativa: Renda | PIB | Dinheiro | Juros | Investimento - Foto : Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Holding controladora da Betnacional e Betfair é alvo de operação da Receita Federal e do MPF por suspeita de irregularidades fiscais
O "NSX Brasil", holding controladora das marcas de apostas online "Betnacional" e "Betfair" no país, tornou-se alvo de uma operação conjunta da Receita Federal com o MPF (Ministério Público Federal). A investigação apura supostas irregularidades na atuação do grupo no mercado de apostas esportivas brasileiro. O conglomerado ingressou no mercado de apostas nacional em 2021 e foi uma das primeiras empresas a obter autorização para operar legalmente após as normas de regulamentação estabelecidas pela SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas) do Ministério da Fazenda. A trajetória do grupo ganhou ainda mais relevância quando 56% de sua participação foi vendida à gigante irlandesa Flutter, responsável pelas marcas "FanDuel" e "Paddy Power", em um negócio avaliado em US$ 350 milhões. A operação foi concluída em 2025, quando a Flutter Brasil assumiu o comando da "Betfair" no país.
A Receita Federal estima que o "NSX Brasil" teria movimentado cerca de R$ 5 bilhões somente em 2025, valor que contrasta fortemente com a declaração de apenas R$ 1,2 bilhão registrada nos últimos quatro anos. Essa inconsistência motivou o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão contra pessoas ligadas ao grupo. O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, foi enfático ao comentar os achados da operação: "Há fortes indícios, evidentemente, de uma movimentação muito, que foi omitida ao Fisco Nacional". Barreirinhas também destacou a complexidade da estrutura utilizada pelo grupo antes da regulamentação do setor: "Nós temos elementos aqui que mostram que antes da regulamentação, eles se utilizavam de uma estrutura complexa empresarial e financeira para ocultar os reais beneficiários dessas operações".
No campo do marketing esportivo e de entretenimento, o "NSX Brasil" construiu uma presença expressiva por meio de contratos com personalidades de alto perfil. Entre os nomes contratados para estampar campanhas da "Betnacional" estão o narrador Galvão Bueno, o atacante do Real Madrid e da seleção brasileira Vinícius Júnior, além dos cantores Thiaguinho e Seu Jorge. A empresa também firmou parcerias relevantes com clubes de futebol. O contrato com o Cruzeiro prevê um pagamento de R$ 43 milhões por temporada, enquanto o acordo com o Sport Recife gira em torno de R$ 22 milhões anuais. Em 2024, o "NSX Brasil" chegou a oferecer R$ 100 milhões para estampar a camisa do Palmeiras, proposta que não avançou nas negociações.
Diante das investigações, o "NSX Brasil" divulgou nota afirmando que já apresentou toda a documentação solicitada pelas autoridades e que permanece à disposição para prestar novos esclarecimentos. "A companhia respeita o devido processo legal e seguirá prestando os esclarecimentos necessários pelos canais institucionais adequados", destacou o texto da holding. A operação reforça o escrutínio crescente sobre o mercado de apostas esportivas no Brasil, especialmente em relação à transparência fiscal das empresas que atuam no setor desde antes da regulamentação formal.