Número de mortos em enchente no Nepal passa de 500; 1,5 mil desaparecidos

Estrada alagada após uma enchente repentina em Galchhi, distrito de Dhading, no Nepal — Foto: Stringer
Enchente no Himalaia deixa 474 mortos e mais de 1,5 mil desaparecidos no Nepal e na China; colapso de geleira é investigado como causa
Mais de 1,5 mil pessoas estão desaparecidas após uma enchente repentina atingir a região do Himalaia, na fronteira entre o Nepal e a China. O número de mortos chegou a 543 nos dois países, segundo autoridades locais. As equipes de resgate seguem com as buscas em meio à lama e aos escombros deixados pela enchente, que ocorreu na quarta-feira (26). As autoridades também alertaram para o risco de novas inundações, já que um lago formado rio acima após o desastre voltou a transbordar. Moradores de áreas consideradas de risco foram orientados a procurar locais seguros.
Análises preliminares indicam que o desastre pode ter sido provocado pelo colapso de uma geleira em uma região de grande altitude no Nepal. O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que especialistas e órgãos oficiais dos dois países participam das avaliações. Segundo o porta-voz da pasta, Lin Jian, os trabalhos ainda estão em andamento. As primeiras investigações apontam que uma grande massa de gelo se desprendeu de uma geleira e bloqueou temporariamente o curso de um rio. A água se acumulou atrás dessa barreira natural e, horas depois, avançou rio abaixo com força, provocando a inundação que devastou comunidades da região. Pesquisadores analisam imagens de satélite e dados coletados em campo para determinar com precisão como o desastre teve início. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) informou na quarta-feira que detectou o colapso de uma geleira com magnitude 5,2, fenômeno que provocou uma avalanche de detritos e atingiu as comunidades locais.
A polícia do Nepal informou que uma barreira natural de água formada no lado tibetano da fronteira voltou a se romper. Militares, equipes de resgate e moradores que participam das operações foram orientados a permanecer em alerta máximo e a deixar a região imediatamente caso haja risco de uma nova inundação. "Não parou", disse à Associated Press o porta-voz da polícia nepalesa, Abi Narayan Kafle. Segundo ele, as buscas continuam, mas são acompanhadas de perto pelas autoridades, que monitoram constantemente a situação. Ainda não há uma conclusão definitiva sobre uma relação direta entre o aquecimento global e a tragédia.
Cientistas, porém, afirmam que o aumento das temperaturas eleva o risco de eventos relacionados ao derretimento e ao colapso de geleiras. O Himalaia está entre as regiões que registram um rápido aumento das temperaturas, o que aumenta a vulnerabilidade de comunidades a enchentes e outros desastres ligados às geleiras. O Nepal segue em estado de alerta enquanto as operações de busca e resgate continuam. O número de desaparecidos, que supera 1,5 mil, mantém as autoridades dos dois países em trabalho intenso para localizar vítimas e evitar novas tragédias na região.