Nepal e China emitem alerta urgente para novos riscos de enchentes no Himalaia

Deslizamento de terra e enchente repentina na região da fronteira entre o Nepal e o Tibete (China) - Foto: commons.wikimedia.org
Dois lagos formados na fronteira entre Nepal e China ameaçam transbordar, elevando o risco de novas enchentes na região já devastada
Nepal e China emitiram alertas nesta quinta-feira sobre novos riscos de enchentes no Himalaia, após dois lagos formados em ambos os lados da fronteira entre os dois países ameaçarem transbordar.
A região ainda enfrenta as consequências da inundação catastrófica ocorrida no início desta semana, que deixou um rastro de destruição nas áreas fronteiriças.
As operações de busca e resgate continuam nos vales e encostas cobertos de detritos, com cerca de 1.000 pessoas ainda desaparecidas após a enchente de quarta-feira que atingiu as regiões fronteiriças do Nepal e do Tibete, na China, matando pelo menos 362 pessoas.
Ambos os países atribuíram a tragédia ao colapso de uma geleira, que empurrou rochas, gelo, lama e detritos para os sistemas fluviais nas montanhas.
A autoridade de desastres do Nepal emitiu um comunicado alertando que um lago formado por detritos que bloqueiam um rio no local da enchente está subindo e corre o risco de transbordar.
"Solicita-se aos moradores das margens mais baixas... passageiros, equipes de resgate envolvidas nas operações e todas as pessoas envolvidas que tomem cuidado redobrado e permaneçam em locais seguros, longe das margens do rio e de áreas de risco", afirmou a autoridade.
Do lado chinês da fronteira, o alerta é igualmente preocupante. A China informou que 3 milhões de metros cúbicos de água — o equivalente a cerca de 1.200 piscinas olímpicas — devem fluir para um lago já represado nos próximos três dias, criando um alto risco de rompimento, com pico de vazão previsto para por volta de 1º de setembro.
A formação desse lago de barragem foi registrada em imagens aéreas por uma equipe de resgate chinesa na quinta-feira, conforme informou a emissora estatal CGTN.
As imagens revelavam grandes volumes de água barrenta se acumulando em uma bacia sem saída visível. A água já havia submergido arbustos e árvores e parecia exercer pressão contra uma barreira de detritos e pedras.
A previsão de chuvas para a próxima semana deve agravar ainda mais a situação, segundo a mídia estatal chinesa, citando o Ministério de Recursos Hídricos do país.
"O volume de água continua aumentando, assim como o risco", disse Zhu Jinfeng, pesquisador do departamento de hidrologia do Ministério de Recursos Hídricos, à emissora estatal CCTV.
Diante dos alertas, alguns socorristas no Nepal começaram a se deslocar para terrenos mais elevados na quinta-feira.
Entre eles estava Pawan Koirala, que iniciou a retirada do leito do rio junto com sua equipe de 13 pessoas após a emissão do comunicado.
"Estamos aqui para realizar resgates e não queremos ficar perto da zona de perigo", disse ele.
A situação no Nepal e na China permanece crítica, com as autoridades monitorando de perto os lagos formados e orientando a população a se manter afastada das áreas de risco enquanto as operações de resgate continuam.