Nepal volta atrás e aceita ajuda internacional após enchentes que mataram 538

Deslizamento de terra e enchente repentina na região da fronteira entre o Nepal e o Tibete (China) - Foto: commons.wikimedia.org
Após pressão diplomática, o Nepal autoriza entrada de especialistas estrangeiros para buscas em túneis, testes de DNA e exames forenses
O governo do Nepal decidiu aceitar ajuda internacional nas operações de resgate das vítimas da enchente torrencial que devastou o norte do país na quarta-feira (28/8), após sofrer pressão diplomática de nações com cidadãos desaparecidos no desastre.
Inicialmente, o Ministério das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, havia declarado que o país não necessitava de resgatistas estrangeiros, argumentando que os socorristas nepaleses eram plenamente capazes de conduzir as operações de busca.
De acordo com o jornal "Kathmandu Post", o governo recuou na decisão e passou a buscar assistência especializada estrangeira, em número limitado, para resgates em túneis, testes de DNA e exames forenses.
Pelo menos 517 cidadãos estrangeiros estão desaparecidos no Nepal após a tragédia, segundo as autoridades locais.
"Recebemos uma enorme pressão da comunidade internacional para permitir a entrada de pelo menos equipes de busca e resgate e alguns especialistas, porque cidadãos desses países também desapareceram nas enchentes. Estamos permitindo um número limitado de especialistas em determinadas áreas", informou um alto funcionário do governo ao jornal nepalês.
O chanceler Shisir Khanal também se pronunciou ao veículo, afirmando que as autoridades identificaram "as três áreas que precisam de apoio e estamos buscando assistência internacional de acordo com elas".
À mídia estatal, o ministro havia justificado a postura inicial alegando que o terreno acidentado do Nepal exigia profissionais familiarizados com a geografia local, e que especialistas estrangeiros sem esse conhecimento poderiam dificultar as buscas.
A enchente ocorreu na manhã de quarta-feira (26/8) na fronteira do Nepal com o Tibete, território autônomo da China, atingindo o rio Bhote Koshi e arrastando gelo e detritos pelo caminho.
A tragédia destruiu pontes, casas, edifícios e usinas hidrelétricas, deixando ao menos 538 pessoas mortas.
As autoridades investigam a hipótese de que o colapso de uma geleira pode ter desencadeado o desastre.