PCMG desarticula quadrilha que clonava carros e aplicava golpes

Carro roubado estava sendo anunciado com placa clonada — Foto: Polícia Civil
Três suspeitos foram identificados após venda de carro roubado com placa clonada em Montes Claros; mandados foram cumpridos em duas cidades
A venda de um carro com registro de roubo, anunciado pela internet com a placa clonada de outro veículo, levou a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) a investigar um esquema criminoso em Montes Claros voltado à aplicação de golpes por meio de clonagem de veículos e uso de documentos falsos.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Montes Claros e em Belo Horizonte na última quarta-feira (25), resultando na identificação de três suspeitos e diferentes frentes de atuação do grupo.
O caso passou a ser investigado pela 1ª Delegacia em Montes Claros após a proprietária do carro que teve a placa utilizada confirmar que o automóvel permanecia em sua garagem e que ela não havia autorizado nenhuma negociação. "Também foi identificada uma tentativa de transferência do veículo por meio de documento eletrônico de propriedade sem o consentimento da proprietária."
Durante as investigações, os policiais localizaram um comprador que desembolsou R$ 35 mil pelo veículo, acreditando estar negociando diretamente com a dona do carro. "Segundo levantado, um dos investigados teria utilizado identidade falsa para se apresentar como dono do veículo e formalizar a transferência."
A PCMG identificou duas suspeitas, de 35 e 43 anos, que supostamente atuavam em conjunto para aplicar os golpes em Montes Claros e região. As duas são investigadas por estelionato e associação criminosa. "Conforme os levantamentos, elas se passavam por agentes de instituições bancárias para obter dados pessoais de vítimas, posteriormente utilizados na abertura de contas fraudulentas e na movimentação dos valores obtidos."
Essas contas eram usadas para movimentar o dinheiro obtido ilicitamente, dificultando o rastreamento da origem dos valores.
Além das duas mulheres, um homem de 32 anos também foi identificado, sendo investigado por falsidade ideológica.
Durante o cumprimento dos mandados em Montes Claros, foram apreendidos celulares, procurações em nome de terceiros, cartões bancários, computador, máquina de cartão, contratos, dados cadastrais e folhas de cheques de diferentes instituições financeiras e titulares. Em Belo Horizonte, nenhum material ilícito foi localizado.
"Os materiais apreendidos serão analisados e poderão contribuir para o esclarecimento da extensão do esquema, a identificação de outros envolvidos e o levantamento de possíveis novas vítimas. As investigações prosseguem, com a realização de oitivas e a análise do material recolhido."
O caso evidencia a complexidade do esquema criminoso identificado em Montes Claros, que combinava clonagem de veículos, uso de identidades falsas e abertura de contas fraudulentas para movimentar os valores obtidos com os golpes.