Milei volta a dizer que Lula é ladrão e corrupto

Foto: World Economic Forum/Flickr
Presidente argentino reafirma acusações sem provas contra Lula uma semana após provocar crise diplomática entre Brasil e Argentina
O presidente da Argentina, Javier Milei, reiterou no domingo (2) as acusações sem evidências contra o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o de "ladrão" e "corrupto". As declarações ocorreram uma semana após suas falas provocarem uma crise diplomática entre as duas maiores economias da América do Sul. Em entrevista à emissora LN+, Milei foi direto ao ser questionado sobre ter chamado Lula de "ladrão" durante o evento de oficialização da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputará as eleições de outubro contra o petista. "Ele é um ladrão, é um corrupto, foi condenado por roubo e corrupção, esteve preso, por isso também é verdade chamá-lo de presidiário. E não só isso: ele foi solto por uma falha administrativa no procedimento, não por ser inocente", afirmou o presidente ultraliberal. Em seguida, questionou: "A pergunta é: eu menti?".
As declarações de Milei em São Paulo desencadearam uma crise diplomática que começou com a convocação para consultas do embaixador do Brasil na Argentina, em razão "das ofensas proferidas" pelo presidente argentino. O Brasil também convocou o embaixador argentino para manifestar seu "repúdio" e pedir explicações pelas "agressões" do presidente Milei contra Lula e contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Ao longo da semana, a Argentina tentou reduzir a tensão gerada pelo incidente. O ministro das Relações Exteriores argentino, Pablo Quirno, ressaltou que não há qualquer possibilidade de romper relações com o país vizinho e principal parceiro comercial.
No domingo, porém, Milei reafirmou suas declarações de forma direta e enfática, chamando Lula de "ladrão" três vezes seguidas, antes de retomar críticas e acusações que já havia feito em uma entrevista de rádio, sete dias antes. Milei voltou a acusar, sem apresentar provas, Lula de promover "interferência política" em seu país e na região. Aos 80 anos, Lula declarou neste domingo estar muito bem ao oficializar sua candidatura a um quarto e último mandato nas eleições de outubro. Já Milei, embora ainda não tenha lançado oficialmente sua candidatura, intensificou seu discurso de confronto tendo em vista a disputa presidencial de outubro de 2027. Durante a entrevista, ele repetiu em várias ocasiões que, a respeito de uma possível reeleição, só compete consigo mesmo, destacando as conquistas de seu governo. Milei aplicou cortes nos gastos públicos que permitiram reduzir a inflação — 161% interanual quando assumiu o poder, contra os atuais 33,5% — mas que afetaram o emprego, a atividade industrial e o consumo.
Fiel ao seu estilo, Milei criticou o fato de suas declarações provocarem indignação e defendeu a veracidade de suas palavras. Ele lembrou que, quando é criticado pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, ou pelo presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, não há as mesmas reações de reprovação. "Quando me insultam, tudo bem. Agora, se eu respondo, está errado", afirmou. Em outro trecho da entrevista, Milei fez duras críticas ao socialismo, em especial às decisões políticas adotadas em parte da Europa em temas como a imigração. Ao ser questionado sobre a crise na cidade autônoma de Ceuta, após uma onda migratória sem precedentes no enclave espanhol no norte da África, ele criticou Pedro Sánchez e o acusou, sem apresentar evidências, de nacionalizar imigrantes para "que votem nele e, digamos, perpetuar sua tirania".
Vale lembrar que, na Espanha, os cidadãos votam para eleger os congressistas e, uma vez formado o Parlamento, os deputados escolhem o presidente do Governo. A Espanha informou no domingo que pelo menos 72 pessoas morreram ao tentar atravessar a fronteira a partir do Marrocos. A onda migratória em Ceuta abriu uma crise internacional para o país, com aliados europeus criticando Madri por suas políticas favoráveis à regularização dos migrantes. Do outro lado do oceano, Milei aproveitou o tema para reiterar sua posição de que os imigrantes deveriam pagar por alguns serviços públicos no país de acolhida.