Lula pede encontro entre Mendonça e diretor da PF para reduzir tensão

© Marcelo Camargo/Agência Brasil
Lula pede encontro entre Mendonça e diretor da PF para reduzir tensão institucional em meio a investigações sensíveis
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, se reúna com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, com o objetivo de reduzir as tensões entre o comando da corporação e o integrante da Corte. A informação foi confirmada pelo GLOBO com três interlocutores do presidente, que tem demonstrado preocupação com o nível de tensão institucional entre os dois. Mendonça é relator de dois dos três inquéritos que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. O ministro também conduz a investigação do caso Dark Horse, que apura repasses de Daniel Vorcaro a um filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além disso, estão sob sua relatoria o caso Master e o escândalo do INSS. Todas essas apurações são vistas por aliados de Lula como tendo alto potencial de impacto eleitoral em plena campanha presidencial. Auxiliares presidenciais avaliam que o encontro pode ocorrer nos próximos dias. A agenda vem sendo construída e seria mediada pelo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, que já atuou como intermediário em reuniões anteriores sobre o tema. A relação entre Andrei Rodrigues e Mendonça tem sido marcada pela desconfiança mútua.
De um lado, o ministro do STF suspeita que Rodrigues utiliza o comando da PF para dificultar as investigações. Do outro, o chefe da corporação desconfia que Mendonça age politicamente para prejudicar Lula e favorecer Flávio. O clima entre os dois piorou nos últimos dias com a revelação de novas mensagens que integram as investigações sobre o suposto tráfico de influência de Lulinha. Em um dos capítulos dessa disputa, a PF acionou, em julho, a Advocacia-Geral da União (AGU) para que apresentasse recurso contra decisões de Mendonça referentes às investigações sobre fraudes no INSS e suspeitas de tráfico de influência de Lulinha.
Em documento encaminhado ao chefe da AGU, Jorge Messias, a corporação listou, em dez pontos, divergências em relação à exigência de comunicação prévia sobre mudanças na equipe responsável pelas investigações e à ordem de delimitar o acesso judicial ao material produzido nas apurações. Messias, no entanto, tem evitado questionar formalmente a condução do ministro, privilegiando uma saída política para a crise. A possibilidade de um encontro direto entre Andrei Rodrigues e Mendonça já havia sido discutida no início do mês, quando Messias intermediou uma reunião entre o ministro do STF e o ministro da Justiça. Durante a conversa, a ideia de um contato direto entre Mendonça e Andrei foi levantada, mas a data ainda não foi definida.
Segundo relatos obtidos pelo GLOBO, Wellington afirmou ao ministro do STF que "a autonomia da PF seria respeitada e que não haveria interferência no trabalho dos investigadores". A crise entre o comando da PF e Mendonça segue sendo monitorada de perto pelo Palácio do Planalto, que busca uma solução negociada antes que o conflito institucional ganhe ainda mais visibilidade em um momento politicamente sensível para o governo.