Chanceler cobra fim de ataques de Milei para normalizar relação com a Argentina

© Lula Marques/ Agência Brasil
Chanceler brasileiro diz que Argentina deve cessar ataques de Milei a Lula e ao Brasil para normalizar relações bilaterais
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a Argentina precisa interromper os ataques do presidente Javier Milei ao Brasil e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que as relações entre os dois países voltem à normalidade.
A declaração foi dada em entrevista ao jornal argentino "Clarín", concedida por telefone enquanto Mauro Vieira estava em Cali, na Colômbia, onde representava Lula na posse do presidente Abelardo de la Espriella.
Segundo o chanceler, o relacionamento bilateral foi rebaixado em razão de declarações de Milei não apenas contra Lula, mas também contra o Brasil, suas instituições, os Poderes e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Mauro Vieira classificou os episódios como graves e afirmou que eles surpreenderam tanto brasileiros quanto argentinos.
Ao ser questionado sobre quais medidas Buenos Aires deveria tomar para permitir uma retomada das relações, Mauro Vieira respondeu que é necessário suspender as agressões e retomar o diálogo bilateral.
Para o ministro, a relação entre os dois países é importante e precisa voltar ao caminho da normalidade.
Na semana passada, o Itamaraty comunicou ao embaixador argentino no Brasil, Guillermo Daniel Raimondi, que ele poderia retornar a Buenos Aires. Com isso, o governo brasileiro passou a tratar as questões bilaterais com o encarregado de negócios argentino em Brasília.
A saída de Raimondi estava prevista para o último domingo (9/8). A decisão ocorreu após uma sequência de declarações de Milei contra Lula e autoridades brasileiras.
O conflito se intensificou no fim de julho, quando o presidente argentino participou do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, em São Paulo, e fez ataques ao presidente brasileiro e ao ministro Alexandre de Moraes.
Dias depois, Milei voltou a criticar Lula durante entrevista à emissora LN+, acusando o presidente brasileiro de interferência política na região e fazendo novas críticas ao modelo econômico adotado pelo Brasil.
Mauro Vieira também rebateu a afirmação de Milei de que o governo brasileiro estaria financiando uma campanha internacional contra a Argentina. O ministro classificou a acusação como falsa e disse que não há fundamento na ideia de que o Brasil estaria realizando pagamentos bilionários com essa finalidade.
O chanceler ainda contestou a classificação de Lula como comunista feita pelo presidente argentino, argumentando que o Brasil possui uma economia aberta, mantém comércio exterior expressivo e opera dentro de um modelo capitalista.
Na mesma entrevista, Mauro Vieira comentou a relação entre Brasil e Estados Unidos e a suspensão do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, pelo governo americano.
Para o ministro, a medida faz parte de uma ofensiva de interferência nas eleições. O governo de Donald Trump afirmou que a suspensão foi uma medida de reciprocidade, após o Brasil não conceder o agrément a Daniel Perez, indicado por Washington para atuar no país.
Mauro Vieira argumentou que a Convenção de Viena não estabelece prazo para a concessão desse aval e afirmou que o pedido sequer foi encaminhado ao presidente Lula.
A crise diplomática entre Brasil e Argentina segue sem sinais imediatos de resolução, com Mauro Vieira reforçando que a retomada do diálogo depende, antes de tudo, do fim das agressões verbais por parte do governo argentino.