Debate dá menos destaque ao contexto nacional e foca em Minas

Foto: Reprodução
Primeiro debate ao governo de Minas teve Mateus Simões como único candidato de direita a criticar diretamente o governo federal
O primeiro debate entre os candidatos ao governo de Minas Gerais, realizado neste domingo (16/8) pela Band Minas, foi marcado por discussões sobre os problemas do próprio estado, deixando a polarização nacional em segundo plano. O programa reuniu Alexandre Kalil (PDT), Cleitinho (Republicanos), Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB) e o governador Mateus Simões (PSD), em uma disputa que muitos esperavam fosse dominada pelo embate entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. A expectativa de que a corrida pelo Palácio Tiradentes fosse contaminada pela polarização nacional não se confirmou.
Entre os candidatos declaradamente de direita, o único a fazer críticas diretas ao governo federal foi o governador Mateus Simões, que adotou uma postura mais dura ao tratar da relação entre Minas Gerais e Brasília. Mateus Simões, que antes do debate se apresentou como candidato de centro-direita, criticou o que classificou como uma postura de "passar pano" para o governo Lula e afirmou que Minas é "sempre renegada" pela esquerda ao comentar sobre a dívida do estado. O governador apresentou a relação com Brasília como uma dificuldade histórica para Minas Gerais, especialmente no tema da renegociação da dívida, e afirmou esperar que o próximo presidente adote uma postura diferente da atual. "Meu primeiro passo é ir a Brasília para dizer que se quer receber, que pelo menos gaste em Minas o que está recebendo, porque os R$ 600 milhões por mês não estão voltando em obras para estradas, não estão se transformando em trilhos", declarou Mateus Simões.
"E se o mineiro faz questão de pagar a dívida, espero que governo federal tenha condição de reconhecer, porque o Lula está sentado em cima da proposta da entrada que fizemos. Estamos pagando R$ 60 milhões de juros a mais por mês pelo descaso do governo", afirmou. Flávio Roscoe, candidato do PL e nome que terá a missão de fazer palanque para Flávio Bolsonaro em Minas, adotou um caminho diferente.
O empresário não fez nenhuma crítica ao governo federal ao longo do debate, reservando suas considerações sobre o tema apenas para o discurso final. Durante a maior parte do programa, Roscoe concentrou suas falas em temas estaduais, como educação, rodovias e mineração. "Eu quero ser governador porque estou indignado com a situação do Brasil e de Minas Gerais. Já vi o desastre da gestão do PT no nosso estado que aniquilou o futuro de várias famílias e não podemos deixar isso voltar a acontecer igual estamos assistindo no governo nacional", afirmou Roscoe, repetindo o discurso que elegeu Romeu Zema (Novo) em 2018.
Ao abordar a educação, Roscoe citou o Senai e o programa Trilhas de Futuro, defendendo a ampliação da formação de tecnólogos e o uso de tecnologia e inteligência artificial como ferramentas pedagógicas. Nas rodovias, defendeu a priorização dos investimentos em estradas e a redução dos pedágios, afirmando que "estradas passam vidas e bens". Na mineração, defendeu a preservação da Serra do Curral e disse que a exploração dos recursos deve considerar que o "bem mineral é finito". Ao final do debate, questionado sobre o tom ameno em relação ao governo federal, Roscoe respondeu que não criticou Lula porque a pauta era Minas Gerais.
O senador Cleitinho Azevedo seguiu linha semelhante à de Roscoe, mantendo o foco nas discussões estaduais. Apesar de ter declarado apoio a Flávio Bolsonaro durante o debate, sempre que mencionou o governo federal, o tom foi de diálogo aberto, sem críticas ao petista. No tema da dívida de Minas, o senador afirmou que pretende conversar com o próximo presidente, independentemente da "ideologia". "O próximo governador tem que esquecer ideologia, sentar com presidente em 2027 para reduzir essa dívida. Tem várias outras maneiras de reduzir. O governo estadual deu isenção de R$ 26 bilhões para empresas. Se tiver contrapartida, está certo, mas tem que rever cada empresa para poder pagar, revisar cada contrato, ver quem sonega", defendeu o candidato. O debate revelou que, ao menos neste primeiro encontro, a disputa pelo governo de Minas Gerais foi conduzida com foco nos problemas locais. Mateus Simões foi o único entre os candidatos de direita a confrontar diretamente o governo Lula, enquanto Roscoe e Cleitinho optaram por uma abordagem mais centrada nas questões estaduais, deixando a polarização nacional em segundo plano.